As coisas estranhas do futebol

Leia a Coluna desta quinta-feira (14)

Escrito por
Tom Barros tom.barros@svm.com.br
Legenda: O jovem, natural de Maranguape, estava na base do Leão desde 2019.
Foto: João Moura / Fortaleza

O futebol é apaixonante. Cada vez mais apaixonante. Estou convencido de que, com o passar do tempo, menos entendo de futebol. Aliás, nem sei se algum dia entendi. Os doutos de hoje encontram tantas explicações esdrúxulas, que prefiro ficar na minha santa ignorância. 

Na manchete do jornal, estava lá em letras garrafais: “Fortaleza vende joia da base por R$ 12,6 milhões para um time europeu”. A dinheirama me deixou tonto. Cuidei de saber detalhes dessa joia. É um atacante, de 18 anos, chamado Landerson Costa. Contrato de cinco anos com o Moreirense, de Portugal. 

Ora, o Fortaleza está precisando de atacantes bons. O time precisa ganhar. Os atacantes do atual time titular estão oscilando muito. Aí eu pergunto: por que a joia serve para resolver problemas de ataque de um time português e não serve para resolver o problema doméstico do Leão?  

Os bons valores são descobertos e aproveitados na faixa de 16 e 19 anos. Então, por qual motivo o Fortaleza, tendo uma pérola em casa, resolve enviá-la ao futebol europeu, sem primeiro pelo menos testar o rapaz na Série A? 

 

Incoerência 

 

Pode ser que eu esteja dizendo uma bobagem. A estratégia do Leão é aproveitar a chance para investir no garoto e faturar alto no futuro. Sim, mas um investimento mais adequado não seria, com o jovem, salvar do rebaixamento a equipe e, posteriormente, realizar a transação com valores mais elevados? 

 

Negócios 

 

Não sou estudioso do “football business”. Há os que o estudam como jogo de aposta. Na qualidade de proprietário de 50% dos direitos econômicos da joia, o Leão negocia o jovem talento. E espera pelo futuro retorno. Enquanto isso, o time continuará sofrendo aqui, na luta contra o rebaixamento. 

 

Posição 

 

Ora, se o time tem uma joia dentro de casa, o correto é usá-la de imediato. Mas, tudo bem, cada cabeça é uma sentença. Então, cabe ao Leão buscar a sua estabilidade com os demais atletas que aí estão. Desejo que a joia da base tenha a sua afirmação lá fora, garantindo a expectativa de bons rendimentos aos cofres do Pici. 

 

Argumento 

 

Procuro entender o argumento dos que promovem a venda de jovens promessas. Afirmam que o jovem ainda não tem condições para encarar os pesados desafios da Série A. Então, vai “engrossar o pescoço” lá fora. Enquanto isso, já vai rendendo dinheiro para o clube. E, com esse dinheiro, a chance de novas contratações. 

 

Conclusão 

 

A minha visão não é de investidor. A minha visão é de desportista que prioriza o time, não o cofre. Prioriza a Série A, não as competições paralelas. Time fora da Série A é prejuízo, é queda. Não entendo importar jogadores que não dão certo e exportar jogadores que poderiam dar certo. São as coisas estranhas do futebol.  

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