As camisas e o desrespeito às tradições no futebol
Leia a coluna desta quarta-feira (6)
Se existe uma coisa que mexe comigo é a tradição no futebol. Não consigo me adaptar às modernidades que inventam mil maneiras para vender camisas de times de futebol. Fico incomodado até quando alteram os padrões de camisas de times pelos quais nem tenho simpatia.
Não sou torcedor do Flamengo, mas tenho por esse notável time o maior respeito. É uma história. Seu original uniforme é um manto. Um manto intocável. Refiro-me ao da década de 1950, na época de Rubens, Dequinha e Pavão. Camisa rubro-negra, com listras horizontais e o emblema do clube. Pronto.
No jogo diante do Ceará, no Castelão, o Flamengo apresentou uma camisa diferente. Camisa toda branca, com pequenos detalhes nas cores do clube. Nada a ver. Na cobertura pela televisão, os profissionais elogiaram o uniforme. Um deles disse que a camisa era linda. Meu Deus...
O Vasco da Gama, time da minha admiração, também tem usado algumas camisas horríveis. Não consigo aceitar. Fecho a televisão. Não é o Vasco da Gama. Para mim é um arremedo. Um desrespeito à tradição.
Lembrança
As novas gerações certamente ouviram falar em Babá (Mário Braga Gadelha), cearense nascido em Aracati. Ele brilhou no Flamengo, tricampeão carioca de 1953/54/55. Embora de Aracati, Babá identificou-se muito com Caucaia, onde morou. Babá começou sua carreira no Paysandu de Caucaia.
Baixinho
Babá tinha apenas 1,54m de altura. Mas compensava com habilidade e velocidade. Profissionalizou-se no Ceará. Em 1954 foi para o Flamengo. Encerrou a carreira no Ceará em 1968. Atuou uma vez pela Seleção Brasileira. Babá considerava intocável o manto rubro-negro. Jamais admitiria os uniformes de hoje.
Camisa do tri
Em 1994, o Vasco sagrou-se tricampeão carioca. Na decisão, diante do Fluminense, o cearense Jardel fez os dois gols da vitória (2 x 0). Dias depois, ele e o pai dele, senhor César, foram à minha casa. Jardel me ofereceu, de presente, a camisa com a qual ele atuou. A camisa tradicional, branca, com a listra transversal e a Cruz de Malta.
Guardada
Esta camisa é uma relíquia. Até hoje eu a guardo com muito carinho. Esta, sim, a camisa vascaína legítima, original. Camisa igual à usada pelo capitão Bellini, nos títulos de campeão carioca em 1956 e 1958. Como posso admitir algumas camisas horrorosas que o Vasco tem usado algumas vezes ultimamente?
Conclusão
Uniforme é o tradicional. A camisa bonita do Flamengo é a rubro-negra, com listras horizontais e o emblema do clube. A do Zico. A do cearense Babá. A camisa bonita do Vasco é a tradicional branca ou preta, listra transversal (preta ou branca), com a Cruz de Malta. Pronto. A do Roberto Dinamite. A do cearense Jardel. O resto é invenção...