Após os jogos, os árbitros na berlinda

Leia a Coluna desta quinta-feira (8)

Escrito por
Tom Barros tom.barros@svm.com.br
Legenda: Imagem da entrevista coletiva do quarto árbitro de Maracanã x Ferroviário
Foto: Reprodução/FCF TV

A FCF inaugura um novo momento: a entrevista coletiva dos árbitros, após as partidas. A experiência será importante. Creio, porém, que poderá haver desconforto, quando forem registrados erros graves na condução da partida. De qualquer forma, vale a pena conferir. 

A medida dá voz e vez aos que não tinham a oportunidade de explicar determinadas situações. Agora, sim, poderão expôs livremente seus pontos de vista e os motivos das marcações. De fundamental importância será a segurança, visando a evitar constrangimentos. 

Quando o árbitro tiver realizado um bom trabalho, certamente não haverá embaraços durante a coletiva. Será tudo numa boa. Mas, quando o trabalho da arbitragem comprometer o resultado do jogo, o ambiente será de tensões. No caso, os árbitros terão de explicar o inexplicável. 

Agora é observar como, na prática, funcionará a inovação. Antecipadamente, porém, já fica uma advertência: todo respeito ao árbitro, ainda que paire polêmicas sobre seu trabalho. Poderá ser contestado. Jamais, agredido. 

 

Estreia 

 

O Ferroviário começou bem no Campeonato Cearense de 2026. A vitória (0 x 1) sobre o Maracanã, no Estádio Almir Dutra, deu moral ao grupo para enfrentar o Fortaleza, domingo, no PV, no primeiro clássico do ano. O golaço, de bicicleta, marcado por Kiuan, merece todos os encômios. 

 

“Árbitro-artilheiro” 

 

Em 1983, houve um gol marcado pelo árbitro José de Assis Aragão. O jogo estava nos acréscimos. O Santos vencia (2 x 1). O Palmeiras foi ao ataque. Jorginho chutou. A bola desviou no árbitro José de Assis Aragão e entrou na meta santista. Gol de empate do Palmeiras (2 x 2). Gol de Aragão, embora registrado como de Jorginho. 

 

Regra 

 

Hoje, quando a bola bate no árbitro, o jogo é paralisado e reiniciado com bola ao chão. Na época, o árbitro era considerado neutro. Então o gol foi validado. O árbitro foi cumprimentado pelos jogadores do Palmeiras. Aragão ganhou o apelido de “árbitro-artilheiro”. Quis até abandonar a profissão, já pela gozação. Mas seguiu apitando. 

 

Fama 

 

José de Assis Aragão ficou muito incomodado com a situação. Por onde passava, ele era cumprimentado pelo gol marcado. Isso o constrangia muito. Seu gol foi capa da Revista Placar e manchete dos principais jornais do país. Somente permaneceu apitando porque foi convencido pelos dirigentes da Federação Paulista.   

 

Coletiva 

 

Estou imaginando se na época houvesse coletiva dos árbitros, após os jogos de futebol. Seria constrangedora a situação do árbitro José de Assis Aragão, tendo de explicar o gol que ele marcou e teve, ele mesmo, de validar o gol marcado. Ainda bem que a regra mudou.    

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