À espera do primeiro gol, sem abraços

Futebol de volta. De forma tímida. De forma gradual. Tudo ainda muito nebuloso. Várias etapas a serem cumpridas. E compridas. Daqui até a volta completa, paciência e tempo. Mas, se tem de ser assim, que assim seja. Amém. Muita expectativa sobre quem fará a primeira partida após a paralisação. E quem fará o primeiro gol. Antes, eu vi muito na televisão o jogador oferecer à sua esposa ou namorada o gol que acabara de marcar. Certamente, declarações de amor ainda mais forte virão. Haverá também quem ofereça os gols às vítimas da Covid-19. Seja como for, importante será o retorno gradual e seguro para evitar novas contaminações. Sim, no âmbito das comunicações, quem narrará o primeiro gol depois do isolamento? Dirão talvez que a exposição que faço não tem nenhuma significação. Pode até ser abobrinha mesmo. Enchimento de linguiça em tempo de bola parada. Tudo bem. Pode ser. Mas veja o aspecto histórico: nada do que virá será como antes. Haverá uma mudança radical nas manifestações de toda ordem. Uma comparação das imagens de antes e depois será feita. Aí, sim, haverá oportunidade de ver o efeito da situação na parte plástica dos futuros espetáculos. Só quando acontecer será possível dimensionar.

Efeitos sonoros

Na narração pelo rádio, onde a criatividade é elevadíssima, os efeitos sonoros serão de grande valia. A sonoplastia terá imensa importância como nos tempos das novelas pelo rádio nas décadas de 1950 e 1960. Eram fantásticos os efeitos em "Jerônimo - o Herói do Sertão" ou "Radar - O Homem do Espaço". Era incrível.

Multidão

Pode acontecer de, num estádio vazio, a sonoplastia no rádio produzir o efeito de casa cheia, como se mais de 80 mil pessoas estivessem ao vivo, interagindo intensamente. Questão é saber como o narrador adaptar-se-á diante de fato tão irreal, ou seja, vibração coletiva tão imensa de gente tão invisível quanto o novo coronavírus.

Comentarista

Haverá nas condições reais e irreais um pouco de verdade e um pouco de ficção. Quero ver como o comentarista Wilton Bezerra, que joga com a verdade, vai admitir nas suas observações a parte ficcional da partida de futebol. Certamente, ele vai fazer o exercício da separação, porque, se não o fizer, terá de mudar o slogan que já o acompanha há tantas décadas.



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