A bravura do futebol interiorano

Leia a coluna de Tom Barros

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Tom Barros producaodiario@svm.com.br
Legenda: Leia a coluna de Tom Barros.
Foto: Thiago Gadelha/SVM

No futebol, há certas coisas que chamam mais atenção que os próprios resultados. O Campeonato Cearense tem as suas peculiaridades. Geralmente, quando os chamados times grandes da capital enfrentam os times do interior, há uma presunção de que tudo vai ser fácil para os favoritos. 

Tenho deixado claro a minha admiração pelos que fazem futebol no interior. São abnegados que lutam contra todo tipo de adversidade. E conseguem surpreender, superando limitações e carências, já pelo espírito de luta que neutraliza as desvantagens. 

Iguatu é um exemplo. Na fase de classificação, enfrentou o Ceará. Empatou (1 x 1) no PV, ou seja, fora de casa. Classificou-se de forma invicta em terceiro lugar. Agora, na segunda fase do certame, também fora de casa, no PV, empatou (1 x 1) com o Fortaleza. Não perdeu para os dois maiores times do estado. 

Síntese: o Iguatu segue vivo na luta pelo título estadual. É o único representante do futebol do interior, ainda com chances de subir ao lugar mais alto do pódio. É difícil? É. Mas, no futebol, tudo é possível. 

Técnico 

Nas últimas décadas, ganhou relevância a função de treinador de futebol. Há os medalhões que são incensados pela mídia nacional e internacional. Exemplo está na contratação do italiano Ancelotti para dirigir a Seleção Brasileira. E há os treinadores que, apesar de talentosos, não recebem da mídia o mesmo destaque. 

Técnico II 

Admiro os treinadores de times do interior. Um deles, Washington Luiz, atual treinador do Iguatu. Tem uma história de sucesso. Já comandou o Guarani-J, Itapipoca, Barbalha, Caucaia, Guarany de Sobral, Icasa, Picos, Cariri, Pacatuba, Atlético-PI e Vila Real. Em 2014, teve rápida passagem pelo Ferroviário. Grande profissional. 

Outro 

Quem fez história no futebol do interior cearense foi o técnico Flávio Araújo, o Sapinho. Teve profunda identificação com o Icasa, onde, por 30 segundos, deixou escapar o título de campeão cearense, em uma disputa com o Fortaleza. Flávio também dirigiu importantes times do Nordeste brasileiro. 

Prestígio 

Os técnicos de times do interior, com raras exceções, não são olhados com o prestígio que deveriam ter. Há uma certa discriminação. O negócio é buscar técnico de fora. As torcidas dos times grandes da capital não aceitam a contratação de treinadores do interior. Claro preconceito. É fato. 

Leite de pedra 

A meu juízo, os treinadores de times do interior conseguem tirar leite de pedra. Sempre enfrentam os poderosos. Enfrentam os times grandes, da Capital, que têm estrutura física e financeira muito superior. Então, têm de fazer das tripas coração. E, não raro, conseguem.

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