A história por trás da felicidade

Hoje, eu e Gabriel completamos quatro anos que nos conhecemos. A gente sempre comemora essa data porque as outras são meio confusas. É nossa data oficial: 9 de junho. 

Hoje quando ele chegou do trabalho, pediu alguma coisa pra comer, falou com nossa cachorra e ficou fazendo bolinhas de sabão com nossa filha. 

E então filmei esse momento. Postei. E algumas pessoas escreveram: “sonho em viver momentos assim”. 

Quantas vezes eu já vi um casal, o pai alheio e desejei momentos assim. Fui a pessoa do lado de lá e agora estou do lado de cá. 

Não posso negar que já sonhei muito com algumas das coisas que vivo hoje. Mas quando a gente tá dentro da imagem, há tanta coisa por detrás. 

Esses dias, apesar dos quatro anos, andávamos meio “mal das pernas”, como falamos no Ceará. Quantos momentos que pensamos que nos separaríamos, quantos que tivemos a certeza que deveríamos estar juntos. 

A mudança de cidade, lidar com a solidão que eu sentia (que por mais que ele tente jamais conseguirá acessar porque é um sentimento individual), as frustrações, as tentativas, os dias cinzas, as despedidas, a ida do meu grande companheiro, o choro por estar longe e saber de algum sinal de envelhecimento dos meus pais. A mudança de apto, a procura, a frustração, a demissão, os riscos, o medo. O puerpério, a filha doente, as noites em claro. 

Tudo isso está por trás desse vídeo. 

Estamos nos recuperando de dias ruins, noites mal dormidas e uma filha recém-doente com bolinhas de sabão. 

Parece ser tranquilo conseguir essa cena que a gente sonha tanto, talvez desde pequena, mas há um caminho, nem sempre tão longo mas por vezes árduo por detrás de cenas assim. 

Há todo um plano de fundo, momentos atrás de um pai fazendo bolhinhas de sabão.

Há toda uma história por trás da casa dos sonhos do vizinho, da vida conjugal do casal do ano, da criação dos filhos perfeita. 

Há tanta história. 

E conto isso pra que a gente busque mesmo o que a gente sonha porque por muitas vezes, acontece. E é bom demais ver seu bebê apontando pras bolhinhas de sabão enquanto corro pra encher com mais detergente e render mais bolhinhas. 

Mas há um grande percurso que a gente só conhece quando anda até chegar lá. Se estamos prontos? Só sabemos no caminho. 

Que a gente chegue ao nosso destino e que o percurso seja engrancedor, acima de qualquer coisa. 

Tem valido a pena. 

*Esse texto reflete, exclusivamente, a opinião da autora