Retomada do esporte olímpico no Brasil começa em setembro com vôlei

Modalidade deve ser a primeira a realizar competições em território nacional

volei de praia
Foto: Wander Roberto/Inovafoto/CBV

O campeonato paulista de vôlei deve ser o pioneiro entre as modalidades olímpicas a retornar as competições no Brasil durante a pandemia do novo coronavírus. No naipe masculino, as disputas estão previstas para começar em 12 de setembro, enquanto entre as mulheres, o campeonato inicia no dia 26 do mesmo mês.

Já em relação às competições nacionais, o vôlei de praia encabeça a retomada. A partir de 17 de setembro, acontece a primeira etapa do Circuito Brasileiro Open de vôlei de praia. A competição será realizada no modelo de “bolha”, no Centro de Desenvolvimento de Voleibol(CDV), localizado em Saquarema, no Rio de Janeiro. O planejamento foi inspirado no esquema adotado pela NBA. Os atletas terão que realizar testes RT-PCR no máximo sete dias antes da participação na etapa e serão monitorados diariamente pela equipe médica.

O Superintendente de Vôlei de Praia da Confederação Brasileira de Vôlei, Virgílio Pires, deu mais detalhes sobre o planejamento da competição: “As datas de realização das etapas foram definidas em conjunto com a Comissão de Atletas e patrocinadores, e julgamos que seria oportuno o reinício uma vez que as taxas de contágio estão diminuindo de forma significativa e o protocolo de prevenção nos dará maior segurança para minimizarmos a possibilidade de contágio. Todos os cuidados estão sendo tomados para darmos toda a segurança possível aos atletas.”

O circuito será separado em naipes e sem a presença de torcedores. A competição feminina ocorre de 17 a 20 de setembro, já a disputa no masculino será realizada na semana seguinte, entre os dias 24 a 27.

E tem cearense reforçando os preparativos para começar bem a temporada, entre elas a Rebecca, dupla de Ana Patrícia e com vaga garantida nas Olimpíadas de Tóquio, e Taiana, com a recém-formada parceria com a bicampeã olímpica no vôlei de quadra, Paula Pequeno.

A segunda etapa da competição também será realizada no mesmo esquema, no CDV. Entre os dias 15 e 18 de outubro, no feminino e de 22 a 25, no masculino. Outras três etapas da temporada foram divulgadas para os meses de novembro e dezembro, mas ainda sem local definido, como explica Virgílio Pires: “Levando em conta que os números e informações sobre o vírus alternam praticamente todos os dias, se os índices de contaminação e letalidade da Covid-19 não baixarem significativamente poderemos realizar, sim, a terceira etapa neste mesmo formato. Existem algumas cidades solicitando a realização de uma etapa do Circuito Brasileiro Open. Se for o caso, escolheremos aquela em que nos possibilite maior segurança para essa realização.”

Desde março, o esporte no Brasil parou. Campeonatos ficaram sem desfecho e a incerteza marcou a vida dos atletas e torcedores. O futebol foi o primeiro a voltar, com o campeonato carioca, em junho. Mas os esportes olímpicos enfrentam uma realidade diferente. Por conta da situação ainda grave da pandemia do novo coronavírus no Brasil, vários atletas estão sendo levados pelo Comitê Olímpico Brasileiro a Portugal, projeto chamado Missão Europa. No país, a retomada das atividades aconteceu com a reabertura do Centro de Treinamentos Time Brasil, no Rio de Janeiro. 

Apesar da possibilidade de voltar aos treinamentos, retomar as competições exige mais, principalmente, quando o país depois de mais de seis meses do primeiro caso de Covid, ainda está longe de chegar ao controle da doença, registrando média diária de quase mil mortes. A intenção das confederações é, então, viabilizar protocolos para minimizar os riscos de contaminação. Não há um padrão em relação à organização dos calendários. Segundo o COB, foi elaborado um guia com indicações de protocolos a serem seguidos, mas cada confederação tem autonomia para definir seus procedimentos.

Aos poucos, os esportes olímpicos vão seguindo os passos de retomada do futebol, o que se espera é que o cumprimento dos protocolos e planejamento gere menos casos de Covid do que o esporte mais popular do país, que no início da temporada registrou dezenas de atletas contaminados e a necessidade de adiamento de jogos. O esporte é reflexo da sociedade, espelho para muitos. Consolidar exemplos de retomada consciente e medidas seguras, gerará resultados também para quem acompanha, ainda que de longe, já que não há perspectiva da presença de público em estádios ou quadras e poderá ser aliado, no controle da pandemia, enquanto a tão sonhada vacina não existe.