Zabelê e Carlinhos Brown resgatam o Brasil dos “Novos Baianos”

A filha de Pepeu Gomes e Baby do Brasil invoca sucesso “Preta Pretinha” para cantar um país enérgico e entusiasmado

Zabelê II
Legenda: Zabelê faz homenagem aos pais em novo trabalho
Foto: Pino Gomes / Divulgação

Na década de 1970 importantes movimentos musicais surgiram em todo o Brasil. Influenciados pelo Tropicalismo, vários grupos de jovens embalados pelo desejo de fazer da arte sua liberdade se lançaram na vida musical e conquistaram seu espaço dentro do cenário cultural do país.

Outra características desses novos artistas era a representação das suas origens também nas suas obras. Em Minas Gerais, por exemplo, nascia o “Clube da Esquina”. Surgiu o “Pessoal do Ceará”, que já trazia o Estado já no nome, e na Bahia formou-se uma das mais importantes agremiações musicais do país: os “Novos Baianos”!

Formado por Moraes Moreira, Paulinho Boca de Cantor, Jorginho Gomes, Bola e Baixinho, Dadi, Luiz Galvão, Baby do Brasil e Pepeu Gomes, o movimento teve como grande e estrondoso primeiro sucesso o álbum de 1972, Acabou Chorare, marco dentro da nossa canção popular. 

Quase cinquenta anos depois do lançamento desse trabalho fonográfico tão importante na história do país, uma de suas faixas, a eterna “Preta Pretinha” (Moraes Moreira e Luiz Galvão), ganha nova versão na voz de Zabelê, filha de Baby do Brasil e Pepeu Gomes, com participação do grande Carlinhos Brown.

“Enquanto corria a barca”

De letra que carrega a dualidade da leveza e força característica das composições dos Novos Baianos, “Preta Pretinha” corre pelo Brasil com uma fluidez espetacular. “Foi uma escolha de uma canção que marcou a minha infância e a minha criação musical. Eu tenho uma identificação com ela que me traz uma alegria. Ela tem uma poesia. Ela passa uma mensagem de muita comunhão e traz energia para gente diferente”, afirmou a cantora Zabelê em entrevista.

Capa do Disco Preta Pretinha
Legenda: Capa da regravação de "Preta Pretinha" (2021)
Foto: Capa de Disco/Reprodução

A artista carioca descende de duas figuras de suma importância na MPB e alçou voo luminoso cantando nova versão do clássico no qual cresceu ouvindo. Na ficha técnica do trabalho, podemos mencionar a excelente produção e arranjos do Wagner Fulco. Ainda sobre a roupagem que segue a tendência brasileiríssima da primeira versão, recebe a participação luxuosa do grande Carlinhos Brown.

“O Carlinhos traz uma força muito grande no seu posicionamento como artista íntegro com muito conceito. Ele passa pelo mundo, o Brasil e as raízes brasileiras. Ele traz um swing com a sua percussão maravilhosa e sua forma de cantar”, afirma a filha de Baby e Pepeu. O ex-Tribalista esbanja talento cantando e tocando agogô, conga, djembe e timbau.

Som que ultrapassa gerações

Ao regravar esse sucesso enorme, Zabelê não resgata só as suas origens, mas um Brasil cheio de sonhos mesmo vivendo em anos difíceis. A história vem a se repetir dentro desse mesmo som. 

“Esse resgate é muito importante, neste momento pós-pandemia, em que as pessoas estão refletindo mais sobre a vida. Onde eu acho que as pessoas estão refletindo mais sobre o que aprenderam. Mudando padrões e visões. Conhecendo outras músicas e culturas”
Zabelê
Cantora

Mesmo sendo uma homenagem a Baby do Brasil, “Pepeu Gomes e os Novos Baianos”, a gravação vai além e mostra toda sua energia, valor e ritmo. Mostra a atemporalidade de uma música e também de um grupo. Zabelê invoca suas origens sem viver delas, o que é sensacional.

O Brasil anda por caminhos tortos, sem poucos rumos e esperanças, mas “Preta Pretinha”, em qualquer (boa) gravação se faz nutrir de uma esperança para que novos tempos iniciem onde as tradições e belezas desse país volte a ser rememorado e executado pelos corações e batuques.