O poder das emoções que nos habitam

As emoções, os sentimentos, nos formam como pessoas e nos fortalecem para a vida

Criança precisa expressar os seus sentimentos
Legenda: É na infância que tem início o nosso aprendizado emocional. Segundo estudiosos, as crianças aprendem os valores humanos na convivência social, principalmente com a família.
Foto: jonas mohamadi/Pexels

Amor, ódio, raiva, felicidade, alegria, tristeza, culpa, insegurança, medo, solidão, saudade, inveja, desejo, gratidão. Essas são apenas algumas das emoções com as quais nos deparamos desde muito cedo, ainda quando crianças.  

No caminhar da estrada chamada vida, nos prendemos e nos libertamos de alianças e obstáculos a partir dos sentimentos, emoções, que nos habitam e muitas vezes transformam nossas vidas. 

Essas emoções e sentimentos, aliados a experiências e reflexões, nos ensinam e nos constroem como seres integrais. Somos sociais e afetivos por natureza, pela necessidade que temos do contato com pessoas e de estabelecer relações com família, amigos, colegas e amores.   

Emoção tem sua origem numa palavra latina, que significa mover. Elas precisam ser compreendidas para que, com elas, aprendamos a lidar de maneira saudável com os desafios e conflitos da vida.  

É preciso entender e saber o que sentimos para tomadas de decisão, tanto no campo pessoal como no profissional. Garantir esse entendimento ainda na infância é um passo importante para a construção de um adulto seguro e inteligente emocionalmente.  

É na infância que tem início o nosso aprendizado emocional. Segundo estudiosos, as crianças aprendem os valores humanos na convivência social, principalmente com a família. Mas o que os valores têm a ver com as emoções? Eles são formados e percebidos através das emoções que colecionamos ao longo da vida, como amor e ódio, alegria e tristeza.  

Entender e nomear o que sentimos é aumentar o nosso repertório emocional.

É uma etapa importante para conseguir lidar com eles de forma equilibrada e saudável, tirando de cada um os aprendizados importantes para o nosso desenvolvimento.  

Precisamos falar mais sobre nossas emoções e sentimentos, reconhecer os nossos, os dos outros e os das crianças. Falar é a forma de não mascarar o que sentimos. É olhar para o que nos faz feliz, triste, o que causa dor ou alegria, vergonha ou medo, e não nos julgarmos por isso. Nos responsabilizar pelo que sentimentos e reconhecer é aprender a viver com cada emoção ou sentimento.  

Legenda: Entender e nomear o que sentimos é aumentar o nosso repertório emocional
Foto: pexels

Quem já não ouviu de outra pessoa para não demostrar emoções e sentimentos, principalmente quando se trata de raiva, paixão ou até mesmo esperança? É como se eles fossem forçados a serem reprimidos. Uma situação dessas, na infância, pode gerar consequências pelo resto da vida.  

A ordem “Engole o choro!”, até hoje, me causa desconforto. Quando penso nela, sinto um nó na garganta e aquela sensação de choro preso. 

O choro é uma forma de comunicação, muito mais presente na infância quando não sabemos verbalizar sobre as emoções. 

O choro é muitas vezes a saída que encontramos para vários "pedidos". Pode não parecer, e imagino que isso também tem relação com a falta de informação, mas é uma forma de repressão muito forte.  

Não ter liberdade para expressar o que sentimos é capaz de nos sufocar com um turbilhão de emoções, sentimentos, dúvidas e angústias.   

Se não trabalhado, uma situação como essa pode produzir seres humanos fechados, tristes, com dificuldade de expressar o que sentem. E o risco de não corrigirmos isso é, também, reproduzirmos esses comportamentos no ciclo de criação de outras vidas.    

Por isso, precisamos saber ouvir, entender, reconhecer todas as emoções e sentimentos que estão dentro de nós. As emoções não existem por acaso. Todas têm uma função, um ensinamento. Mas, sim, algumas são complexas. Explicar o abstrato é mais delicado. E quando isso vai ser recebido por uma criança o desafio é ainda maior.  

Educação socioemocional

A escola cada dia mais tem sido parceira da família na educação socioemocional. O tema tem se destacado nos últimos anos e está inserido numa proposta pedagógica revolucionária que pode ser vista na Base Nacional Comum Curricular (BNCC). 

O objetivo é desenvolver nos estudantes a capacidade de lidar com emoções e, assim, serem responsáveis e capazes de resolver problemas. Com isso, poderão criar relações sociais mais positivas.  

O desenvolvimento de habilidades como criatividade, empatia e pensamento crítico é trabalhado com a mesma importância dos outros conteúdos curriculares. Como benefício dessa ação, temos o fortalecimento da confiança, organização e da construção de relações interpessoais.  

Um dos livros mais lidos de todos os tempos, “O pequeno príncipe”, de Antoine de Saint-Exupéry, nos apresenta temas fortes e profundos como amor, solidão, amizade, sentido da vida e perda. Escrito com o coração, o livro nos faz refletir sobre como estamos vivendo e como podemos aprender a ser pessoas melhores.  

"O essencial é invisível aos olhos" é uma frase sábia, oferecida pela Raposa ao Príncipe, como um fruto de autoconhecimento. Para ela, o sentir e o agir devem ser prioridade diante do ver. E tudo aquilo que não pode ser tocado, como o amor, a amizade, a esperança, a alegria, deve ser colocado à frente do material.   

As emoções, os sentimentos, nos formam como pessoas e nos fortalecem para a vida. Entender e falar sobre eles é assumir o nosso protagonismo na vida e na sociedade. Sejamos protagonistas do que somos.