Pecnordeste expõe os avanços da agropecuária do Ceará

A governadora Izolda Cela, que abrirá no Centro de Eventos a 25ª maior feira da agropecuária nordestina, ficará feliz ao ver o que já produz e exporta o sertão cearense

Legenda: Operários trabalhavam ontem à noite na instalação dos estandes da Pecnordeste
Foto: Divulgação

Ao abrir nesta quarta-feira, 29, Dia de São Pedro, a 25ª Pecnordeste, maior feira da agropecuária nordestina, a governadora Izolda Cela, pouco afeita à economia rural, abrirá um sorriso de contentamento, porque verá o estágio de progresso a que já chegou um setor que cresceu e vem crescendo graças aos investimentos privados que permitiram, por exemplo, o surgimento de uma fruticultura altamente tecnológica que produz e exporta produtos de alta qualidade.

O Ceará, superando todas as dificuldades de clima e de solo, importou conhecimento e, apropriando-se dele, usa-o hoje com eficiência não apenas na agricultura, mas também na pecuária leiteira (se passear pelos estandes da Pecnordeste, a governadora poderá degustar de alguns dos melhores queijos fabricados no país, mas feitos aqui mesmo no sertão cearense, incluindo o de cabra, cujos padrões de produção assemelham-se aos de Portugal).

Para alcançar essa eficiência, as empresas cearense do agronegócio investiram pesado na tecnologia, sendo exemplo as da fruticultura, da pecuária bovina e caprina de leite, da floricultura (o Ceará produz e exporta flores e plantas ornamentais, e pouca gente sabe disto), da melinocultura (também exportamos mel de abelha produzido por pequenos produtores, incluindo os da agricultura familiar), e da carcinicultura (mais de 1.300 pequenos antigos agricultores trocaram a enxada pela água salobra do subsolo do sertão, onde hoje criam camarão, cuja renda é várias vezes maior do que a do cultivo do milho ou do feijão) – tudo isto ocupando menos terra e consumindo menos água, graças à tecnologia.

Há muito mais em exposição na 25ª Pecnordeste, e a governadora Izolda Cela e seus secretários certamente ficarão orgulhosos do que, no campo, os produtores estão a produzir, não mais espiando para o céu em busca de nuvens de chuva, mas de olhos, ouvidos e mente atentos para os avanços da tecnologia, que na agricultura se moderniza a ciclos semestrais. 

Deve ser lembrado que a agricultura tecnificada do Ceará, para estar ligada a esses avanços tecnológicos, já dispõe de rede de fibra ótica que lhe garante conexão em alta velocidade na internet, graças a outro empreendedor cearense, o empresário autoditada José Roberto Nogueira, sócio majoritário e CEO da Brisanet, maior empresa de telecom do Nordeste, com sede em Pereiro, na região do Jaguaribe, no Leste do Estado.

Edson Brok, um paulista que há mais de 20 anos veio para o Ceará, onde planta e exporta banana nanica para a Europa, diz que a Chapada do Apodi, onde está sua fazenda de produção, “é um lugar abençoado por Deus”, pois tem solo e clima favorável à sua atividade, além da internet através da qual fecha negócios com importadores europeus.

Na Chapada da Ibiapaba, na região Oeste, na ainda polêmica divisa com o Piauí, o Ceará desenvolve uma hortifruticultura que promete muito em pouco tempo – lá já se cultiva tomate, pimentão colorido, rosas e soja e, brevemente, mirtilo e avocado (o abacate mais consumido na Europa). 

Ao esforço do empresariado, o governo do Estado, por meio de sua Secretaria do Desenvolvimento Econômico e Trabalho (Sedet), agrega o seu, financiando missões que, principalmente na Europa, prospectam novos mercados e tentam atrair investidores.
 
Na Pecnordeste que hoje se inaugura, estará em exposição não apenas a riqueza de sua agropecuária, mas a capacidade de criar, de inovar, de ousar, de correr riscos do empresário cearense. A governadora Izolda Cela, certamente, ficará feliz ao testemunhar o que se faz hoje no sertão do Ceará.