5x2: bares e restaurantes fecharão na segunda e na terça-feira

Será a solução, ainda não oficializada, para a nova jornada de trabalho. Mas o preço do cardápio aumentará.

Escrito por
Egídio Serpa egidio.serpa@svm.com.br
(Atualizado às 08:07)
Legenda: Por causa da nova jornada 5x2, bares e restaurantes, por causa deverão fechar nas segundas e nas terças-feiras. Preços aumentarão.
Foto: Arquivo pessoal
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Diante do inevitável, relaxe e sinta o prazer, como recomendam os psicólogos aos seus pacientes no divã da terapia. Mas não é bem assim, e aqui está a prova: um dos setores que mais diretamente sentirão os efeitos da nova jornada de trabalho 5x2 (cinco dias de trabalho por dois de descanso), o de bares e restaurantes, parece ter encontrado a saída para aquilo que parecia impossível, ou seja, a contratação de mais colaboradores para substituir os que folgarão nos fins de semana. Uma fonte do setor, pedindo o anonimato, “pois o assunto ainda está em debate”, contou que a solução será dar folga ao seu conjunto de funcionários na segunda e na terça feiras.  

“Assim, sem contratar ninguém, garantiremos o funcionamento normal das nossas casas no sábado e no domingo, que são os dias de maior movimento dos bares e restaurantes em qualquer lugar e em qualquer região do país e do mundo”, acrescentou a mesma fonte. E quem pagará pelos dois dias sem faturamento? Resposta: o cliente, pois os preços do cardápio serão majorados.  

Esta coluna já havia previsto que – passado o momento de aflição registrado nos dias de debates no Senado em torno da PEC que extinguiu a jornada 6x1 e criou a 5x2 – tudo seria normalizado, pois é da tradição do brasileiro “encontrar um jeitinho para tudo”. Esse jeitinho está surgindo e, pelo andar da carruagem, vai desaguar no remanso do entendimento entre as partes interessadas, mas tudo a depender de cada setor afetado pela novidade. 

É extenso, variado e multitudinário o universo da economia brasileira, como advertem os líderes da indústria nacional, capitaneados por Ricardo Alban, presidente da CNI, na opinião de quem haverá grave prejuízo à produção e à produtividade industrial por causa da jornada 5x2. A ver. Para justificar seu argumento, Alban deu números que aqui foram publicados na sexta-feira, 16.  

No sábado, 17, a coluna tornou pública a opinião do presidente do Sindicato da Indústria de Lacticínios do Ceará, José Antunes Mota, segundo a qual os pequenos pecuaristas do setor leiteiro, que são a maioria, não têm nem terão condição de contratar mão de obra para substituir os colaboradores que agora terão mais um dia de folga. Ele chegou a prever que o leite captado no sábado e no domingo se perderá, porque não haverá gente para executar esse serviço nos fins de semana. O tempo dirá se Antunes Mota está certo ou errado na sua previsão. O problema da pecuária, como se vê, é mais grave do que o dos bares e restaurantes. 

Resumindo: diante de quem produz e trabalha em todas as áreas da economia brasileira há, agora, uma baita novidade legal com capacidade de mexer profundamente nas relações entre patrões e empregados.  

20 ANOS DO IPO DE M. DIAS BRANCO. UMA LEMBRANÇA 

Ontem, domingo, 18 de outubro, foi celebrado o vigésimo ano do IPO da M. Dias Branco, empresa líder do mercado nacional de massas, biscoitos e granolas. Ao noticiar no sábado passado, 17, a importância da data na vida da grande empresa cearense, esta coluna cometeu, por falta de atenção, um lapso relevante ao omitir a direta participação do consultor Geraldo Luciano Matos Júnior em todo o processo de abertura do capital da que é hoje uma das maiores companhias da área industrial de alimentos do país, desde 2014 muito bem liderada por Ivens Dias Branco Júnior, seu CEO e acionista.  

Foi Geraldo Luciano, na época vice-presidente de Investimentos da empresa, quem convenceu seu saudoso presidente e controlador Ivens Dias Branco a torná-la uma corporação aberta, colocando à disposição do público, por meio do mercado de capitais, parte do seu capital. Foi ele, também, que sugeriu as primeiras aquisições de M. Dias Branco, entre as quais a gigante gaúcha Ádria, as portentosas pernambucanas Vitarella e Pilar e a famosa fluminense Piraquê.  

Geraldo Luciano lembrou ontem sua convivência com Ivens Dias Branco, “o mais impressionante empresário com quem já trabalhei e com quem aprendi a enfrentar e superar os grandes desafios da vida pessoal e corporativa”. Em 2019, encantado com a política, Luciano deixou M. Dias Branco, mas esse encanto durou pouco: hoje, Geraldo Luciano é um dos mais requisitados consultores de empresas, com clientes aqui e em estados do Nordeste, do Sul e do Sudeste. 

A propósito: na sexta-feira, 16, após o encerramento do pregão da Bolsa de Valores B3, M. Dias Branco anunciou mais uma aquisição: a da empresa paulista Grespan, especializada em panificação congelada, que passa a ser uma nova área de seus negócios. 

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