Abrasel nega que bares e restaurantes fecharão dois dias da semana
Em nota à coluna, a presidência da entidade no Ceará posiciona-se: “Não existe solução mágica para resolver uma conta que não fecha.”
Esta coluna recebeu na tarde desta segunda-feira, 19, nota de posicionamento de Taiene Righetto, presidente da Abrasel no Ceará, posicionando a entidade diante do que aqui foi publicado na manhã de hoje. Com base na informação de uma fonte do setor, a coluna informou que, diante da nova jornada de trabalho 5x2 (cinco dias de trabalho por dois de descanso), a Abrasel está debatendo sobre o fechamento dos bares e restaurantes durante as segundas e as terças-feiras, ampliando para dois dias, como determina a recentíssima Lei, a folga semanal dos seus colaboradores.
A nota da Abrasel Ceará, na íntegra, é a seguinte:
“Acredito que a abordagem da coluna merece ser revista diante de um momento tão sensível para o setor de bares e restaurantes. Utilizar a declaração de uma fonte anônima, sem identificação ou representatividade conhecida, para sugerir que o setor encontrou uma solução para o fim da escala 6x1 é prestar um desserviço ao debate e à sociedade.
“Como presidente da Abrasel no Ceará, faço questão de mostrar a cara e dizer claramente: não existe solução mágica, muito menos o famoso “jeitinho brasileiro” para resolver uma conta que simplesmente não fecha.
“O que estão chamando de solução tem outro nome: redução de faturamento, diminuição da oferta de serviços, risco de demissões, aumento da informalidade e preços mais altos para o consumidor.
“Fechar bares e restaurantes às segundas e terças-feiras não significa resolver o problema. Significa abrir mão de dois dias de receita, mantendo boa parte dos custos fixos. Para milhares de pequenos empresários, que já operam com margens apertadíssimas, isso pode representar a diferença entre continuar funcionando ou encerrar definitivamente suas atividades.
“E o que dizer dos estabelecimentos que precisam funcionar todos os dias? Sem mão de obra disponível para ampliar as equipes e com custos maiores, muitos enfrentarão dificuldades para manter a qualidade e a oferta dos serviços.
“É preciso compreender que reduzir o funcionamento da economia não é aumentar a produtividade. Fechar empresas não é preservar empregos. E transferir custos ao consumidor não é encontrar uma solução.
“A nova regra foi aprovada de forma acelerada, e ainda existem importantes dúvidas sobre sua aplicação prática, as possibilidades de negociação coletiva e a adaptação dos diferentes segmentos.
“O Brasil precisa discutir produtividade, qualificação profissional, redução da carga tributária e condições reais para que as empresas possam crescer, contratar e remunerar melhor.
“O trabalhador merece qualidade de vida, sem dúvida. Mas também merece segurança no emprego, assim como a sociedade precisa de serviços acessíveis e os empresários precisam de condições para continuar operando.
“O verdadeiro “jeitinho” que temo ver crescer é a informalidade, a perda de empregos e o fechamento de milhares de pequenos negócios.
“Tratar tudo isso como uma simples acomodação de calendário é minimizar um problema econômico e social muito maior.”
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