Pecuária cearense sob ameaça: o leite dos fins de semana
Sindilacticínios adverte que a nova jornada de trabalho levará à perda do leite produzido no sábado e no domingo
José Antunes Mota, economista, ex-secretário de Planejamento do governo do estado e hoje pecuarista e industrial laticinista e, ainda, presidente do Sindicato da Indústria de Lacticínios do Ceará (Sindilacticínios), pede espaço à coluna para transmitir o que chama de “um sentimento de pesar que envolve neste momento o universo dos pequenos produtores cearenses de leite”.
Citando como exemplo os 36 laticinistas associados ao seu sindicato – “nenhum dos quais tem ou terá condição de captar e beneficiar o leite produzido no sábado e no domingo, que serão os dias de folga dos seus colaboradores, segundo a nova jornada de trabalho 5x2” – Antunes usa o bom humor para explicar a situação:
“Teremos de usar a Inteligência Artificial para impedir que as vacas produzam leite nos fins de semana”.
Ele revela que sua empresa de lacticínios beneficia, diariamente, 20 mil litros de leite de vaca e de cabra, transformando-os em produtos lácteos (diferentes tipos de queijo e iogurtes), que são vendidos nos supermercados. E acrescenta que a margem “é muito pequena, incapaz de encarar as exigências legais da nova jornada de trabalho; não tenho a mínima condição de contratar mais mão de obra para substituir os colaboradores que terão, agora, folga no sábado e no domingo, e meus colegas laticinistas também não têm”. Antunes Mota resume sua preocupação em duas frases:
“A pequena pecuária leiteira cearense tende a desaparecer. Não sei como farão os grandes produtores de leite para enfrentar e vencer as exigências legais da nova jornada de trabalho 5x2, mas os pequenos terão um futuro muito difícil”.
Ele analisa o novo quadro pintado pela redução da carga horária laboral:
“Mesmo os grandes produtores de leite, com condições de ampliar seu quadro de pessoal, serão obrigados a vender à indústria sua produção a um preço mais caro; a usina beneficiadora fará o mesmo ao negociar com as redes supermercadistas, que, por sua vez, terão de subir o preço do leite e dos seus derivados. Resultado: inflação e menos consumo: quem comprava dois litros de leite passará a comprar só um”.
(Ontem, um litro de leite estava sendo vendido em um supermercado da Aldeota por R$ 7,59).
Foquemos o setor da saúde: ontem, diretores da Unimed, maior cooperativa de médicos do Ceará e dona de um dos maiores planos de saúde do estado e, ainda, de dois grandes e modernos hospitais, reuniram-se para analisar o novo cenário e para adotar as providências destinadas a manter a operação normal (24 horas do dia, de domingo a domingo), para o que terão de contratar mais pessoal especializado (enfermeiros e auxiliares de enfermagem, principalmente) algo difícil de encontrar no mercado de trabalho.
As mesmas reuniões e as mesmas preocupações dominam os diferentes setores da atividade econômica.
LUFTHANSA, QUE COMPROU A TAP, ANUNCIA PLANOS
Na última quarta-feira, 14, a empresa aérea alemã Lufthansa comprou por 1 bilhão e 200 milhões de euros a parte minoritária de 49% do capital da empresa aérea portuguesa TAP, que tem voo diário ligando Fortaleza a Lisboa e vice-versa.
No dia seguinte, quinta-feira, 15, a Lufthansa anunciou que ampliará e modernizará a frota de aviões da TAP, incorporando a ela novas aeronaves Airbus dos modelos A320, A321 e A330-900.
Até o fim deste ano, a Lufthansa acrescentará à frota da TAP mais 10 aviões fabricados pela Airbus. Até 2030, a frota da TAP, que hoje é de 110 aviões, saltará para 130 aviões, entre eles os gigantes A-350, que podem voar durante 15 horas sem reabastecimento.
A TAP, por enquanto 100% estatal, enfrenta hoje alguns problemas que a impedem de aumentar sua frota. É por isto que os voos de Lisboa para Fortaleza e daqui para lá estão sendo feitos por aviões A330 de uma empresa espanhola. Isto vai acabar provavelmente no início do próximo ano de 2027.
Deve ser lembrado que a Lufthansa é alemã, assim como é alemã a Fraport, empresa que administra o Aeroporto Internacional de Fortaleza, o Pinto Martins.
SÔNIA PINHEIRO, A NOTÍCIA COM SORRISO
Sem qualquer aviso prévio, a jornalista Sônia Pinheiro, que, ao longo dos últimos 40 anos, foi presença marcante no colunismo social da imprensa cearense, principalmente no Diário do Nordeste, tomou o caminho do Céu, chamada por Deus.
Soninha tinha um estilo de escrever que acrescentava às notícias o seu sorriso, dando ao seu trabalho o selo de qualidade próprio dos iluminados. Que Deus a receba em uma de suas moradas.
PESQUISA REVELA: NORDESTE É UMA REGIÃO CERVEJEIRA
Segundo dados do Anuário da Cerveja 2026, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), analisados pelo Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindiserv), a região Nordeste produziu 3,8 bilhões de litros da bebida em 2025, equivalentes a 24,2% da produção nacional, com 130 cervejarias registradas.
O dado que mais chama atenção é a produção média: são 29,25 milhões de litros por cervejaria, a maior entre as cinco regiões brasileiras. O volume médio é cerca de nove vezes o registrado na região Sul do país, que possui 759 estabelecimentos produtores de cerveja.
Detalhe: o Nordeste tem apenas 130 cervejarias, mas responde por quase um quarto da produção nacional e apresenta a maior produção média por estabelecimento no Brasil.
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