Livro de crônicas revela Fortaleza para além do cartão-postal
Obra "Fortalezenses", do cearense Émerson Belo, reúne 12 crônicas inspiradas em histórias e personagens do cotidiano.
Dos seus deslocamentos pela cidade, Émerson Belo fez nascer a obra "Fortalezenses". O livro do escritor e jornalista cearense, de 28 anos, conta com 12 crônicas, e entrelaça histórias e personagens que representam a capital cearense. A inspiração no cotidiano resultou em textos que evidenciam não apenas os encantos de Fortaleza, como os lados que não aparecem nos cartões-postais.
"Falamos muito da beleza, e das coisas boas que têm aqui, mas eu queria falar sobre os nossos problemas também. Gosto de morar aqui, mas tem muitas situações que a gente tem que debater, trazer à reflexão", compartilhou em entrevista para a coluna.
Uma cidade não é apenas feita de suas novas construções, mas também de suas ruínas. Fortaleza se constitui das exuberantes paisagens, com praias e dunas, mas também daquilo que reside escondido no emaranhado da malha urbana.
Émerson se propõe a levantar esse véu, a ver o que se esconde além da primeira camada da visão. Assim, seus personagens são figuras diversas, que ele foi dando forma a partir da observação do cotidiano. Em cada viagem de ônibus, colecionava os rostos e gestos dos passageiros e transeuntes.
“Apesar de ser um livro que trata de personagens ficcionais, eles são inspirados em fortalezenses reais, pessoas que de certa forma estão representadas ali, pessoas que cruzaram comigo em algum momento e foi surgindo essa vontade de escrever sobre. A cidade mesma acaba me provocando a escrever, acho bonito ela me permitir fazer isso”.
Crônicas foram escritas em poucos meses
As crônicas foram nascendo aos poucos, a partir das observações de Émerson ao navegar pela cidade. Os primeiros rascunhos começaram em janeiro de 2020, atravessando uma pandemia e o isolamento social.
Na obra, o leitor encontra um cachorro abandonado, uma garota de programa parada na esquina, um artista de ônibus, um pai trabalhador. “Me veio a vontade de escrever. As histórias foram fluindo, até que quando finalizei, em junho, julho, deixei elas lá, paradas”, afirmou.
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Elas precisaram de um tempo para decantar. Ficaram na gaveta por quase seis anos antes que ele retomasse a escrita e garantisse às crônicas uma nova forma. “Dei uma revisitada nas histórias. Esse ano resolvi dar o pontapé nesse desejo de publicar, considerando os 300 anos da cidade, aniversário de Fortaleza”, disse.
Em um estilo blocado e sem aspas, editou de modo a deixar os personagens contarem as próprias histórias. “Quero deixar serem eles mesmos, então tem essa quase oralidade ao contar as histórias”. Cada crônica ainda é acompanhada por ilustrações feitas por Elita Maria Colares.
Agora que "Fortalezenses" chega ao mundo, Émerson deseja levantar reflexões sobre as distintas realidades de Fortaleza, não deixando de lado os desafios que a cidade ainda precisa enfrentar, como a violência urbana e o crime organizado. “É um pouco disso que quero. De certa forma, abrir um pouco os olhos para essa cidade que muitas vezes a gente coloca debaixo do tapete”.
Serviço
Livro "Fortalezenses"
Quanto: R$ 45,90
Onde comprar: @emersonbelo_