Polêmica no Clássico-Rei: foi pênalti para o Fortaleza contra o Ceará?

Os times empataram sem gols no domingo (8), na Arena Castelão

Escrito por
Alexandre Mota alexandre.mota@svm.com.br
(Atualizado às 09:23)
Legenda: O Clássico-Rei terminou empatado sem gols na Arena Castelão
Foto: Ismael Soares / SVM

O primeiro Clássico-Rei de 2026 ficou marcado pelo baixo nível do jogo e também por uma polêmica: uma reclamação de pênalti por parte do Fortaleza no empate sem gols com o Ceará, neste domingo (8), na Arena Castelão. Na ocasião, o zagueiro tricolor Cardona cabeceia e a bola acerta o braço do volante alvinegro Zanocelo, mas o juiz Marcelo de Lima Henrique (FCF) não percebe como infração.

O Diário do Nordeste então destrincha o que tem na atual regra de penalidades e também expõe a fala do árbitro, que concedeu coletiva avaliou o lance como de uma “fácil análise” e “muito didático”.

O que diz a regra do pênalti?

A última edição do Livro de Regras, edição de 2026, da International Football Association Board (IFAB), entidade responsável por regulamentar as regras do futebol, sinaliza a situação do pênalti na página 114, onde descreve a Regra 12, justamente no tópico com as “Faltas e condutas incorretas”.

Descrição do Livro de Regras

Tocar na bola com a mão ou o braço com a finalidade de determinar com clareza as infrações por toque na bola com a mão, o limite superior do braço se alinha com o ponto inferior da axila. Nem todos os contatos da mão ou do braço de um jogador com a bola constituem uma infração.

No entanto, comete uma infração o jogador que:

• tocar na bola com sua mão ou seu braço deliberadamente; por exemplo, deslocando a mão ou o braço na direção da bola;

• tocar na bola com sua mão ou seu braço quando estes ampliarem o corpo do jogador de maneira antinatural. Considera-se que um jogador amplia seu corpo de forma antinatural quando a posição de sua mão ou seu braço não for consequência do movimento do corpo nessa ação específica ou não puder ser justificada por esse movimento. Ao colocar a mão ou o braço nessa posição, o jogador assume o risco de que a bola acerte essa parte de seu corpo e de que isso constitua uma infração;

Resposta do árbitro Marcelo de Lima Henrique

“A bola pega, sim, no braço do jogador do Ceará, que está na descendente. O braço descendente é um braço normal para aquela disputa. Portanto, para mim, no campo de jogo, essa foi a visão [...] É um lance até, muito didático, para não penal. Porque, como vem de uma ação de disputa, a bola é disputada primeiro e ela cai repentinamente, mudando a sua direção bruscamente. A bola que vem longa. Então, o braço do jogador estava numa posição natural para disputa. Obviamente que há o contato, sim, mas é um lance que, para a gente, que já viu vários vídeos e estuda muito esses lances, fica um lance de fácil análise para não penal. Essa foi a visão no campo de jogo”.
Marcelo de Lima Henrique
Árbitro do Clássico-Rei

Minha conclusão

O meu sentimento é de não compreender a regra, honestamente. Ao observar o lance, pra mim, foi pênalti por tudo que já vivenciamos anteriormente no futebol. Analisando apenas a grande gama de situações equivalentes e demais explicações, compreendo que Zanocelo amplia o espaço e impede a passagem da bola. No entanto, você se depara com o regulamento, observa a expressão "antinatural" e a explicação de um árbitro experiente, que utiliza um parecer extremamente técnico para justificar uma situação que julga ser “bem didática” e “fácil” para a "não marcação" da penalidade. 

Logo, reconheço o raciocínio do juiz, mas é fato que esse tipo de caso evidencia que a regra é interpretativa e a falta de critério na arbitragem no geral impede maior clareza no debate popular. Após a explicação, como meros mortais, nos resta observar casos assim daqui pra frente e saber o que será marcado pelo árbitro na nova ocasião.

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