Folha salarial, dívida, João Ricardo e saídas: o que foi dito na coletiva do Fortaleza?
As perguntas foram respondidas pelo CEO Pedro Martins e Bruno Cals, da SAF
A verdade é que a coletiva organizada pelo Fortaleza Esporte Clube na manhã desta sexta-feira (27), no Pici, não atendeu por completo os torcedores. Por quase duas horas, o CEO Pedro Martins e Bruno Cals, presidente do Conselho de Administração da Sociedade Anônima do Futebol (SAF), foram questionados por jornalistas, mas a maioria das perguntas ficou sem uma resposta detalhada para um maior esclarecimento aos tricolores.
É fato que a iniciativa é importante e qualquer passo em prol da comunicação deve ser valorizado. No entanto, o clube prometeu explicações e entregou a estratégia do silêncio e da não divulgação de informações específicas. Assim, a oportunidade de se aproximar da torcida pode ter um efeito contrário.
Quanto o clube pagou pelas rescisões do elenco? Qual o valor da compra do volante Pierre? O orçamento da equipe está no vermelho? São exemplos de questionamentos não atendidos. Dito isso, o Diário do Nordeste tentou extrair as principais falas aos tricolores. Abaixo, algumas das temáticas abordadas.
Folha salarial do Fortaleza
"A folha do Fortaleza ano passado era muito alta. O Fortaleza tinha uma folha de R$ 12 milhões e está finalizando agora com uma folha de R$ 5 milhões, isso em números ‘arredondados’. Aumentar de R$ 5 milhões para R$ 13 milhões é fácil, mas reduzir uma folha de R$ 13 milhões para R$ 5 milhões é muito difícil. E dentro desse conceito, diante de todas as circunstâncias, fizemos tudo que nós podíamos para trazer jogadores pensando na realidade financeira do clube”, disse Bruno Cals.
Reforços para Carpini
"A gente conversou muito com o Carpini, e ele entendeu que a gente teve que fazer uma readequação orçamentária. Ele tem sido um bom parceiro. Para a quantidade de mudanças no início do Cearense, nenhum treinador gosta disso, e ele foi se adequando, ajustando as ideias e modificando conforme as situações. Quando fizemos o planejamento, era para escolher as melhores opções, no aspecto técnico e econômico, e vamos apostar no trabalho, na capacidade de melhorar jogadores. O Fortaleza não pode se dar ao luxo de trocar jogadores, de ter 40 atletas no fim da temporada ou mudar treinador a todo momento, a gente está apostando no processo e no trabalho. Não pode mudar tudo a cada três derrotas, o que fez diferença no Fortaleza foi que ele manteve ideias e processo, e a gente acredita que isso vai ser uma força do processo. Quando perde, olha para dentro e vê o que pode fazer para melhorar o clube, se o jogador está mal, a gente vai trabalhar para desenvolver o jogador, porque essa máquina de moer gente é uma máquina de morrer clube também. O treinador sempre quer mais, o torcedor, e vamos garantir para que o mais seja o nosso máximo, e no fim da temporada esperamos que isso nos leve para Série A”, afirmou Pedro Martins.
Vendas de jogadores
“Em relação aos valores, todas as principais vendas, a gente colocou a transparência em foco. O que a gente focou no documento foram peças que estavam aqui em casa. O Amorim estava no Alverca, foi vendido ao Genoa, e esse valor será recebido ao longo do tempo. Isso aqui é um projeto como um todo, a gente não gosta muito de falar individualmente. Você me pergunta do Matheus Pereira, a gente precisa entender que o clube demandante não deseja explicar, por isso que a gente optou, e o valor vai ser se o clube vai pagar, metas, opção de compra, e não a gente não gosta de tratar as coisas individualmente. A gente faz um projeto esportivo e vamos maximizar cada ativo. Teve negociação que parte do processo foi o próprio atleta que deixou de receber dinheiro do clube. [...] Eu não tenho essas informações de cabeça, dos atletas, dos 46 jogadores”, declarou Bruno Cals.
Permanência de João Ricardo
"O João está treinando. Ele fez um trabalho muito cuidadoso com o nosso departamento médico, um trabalho bem feito, cauteloso, e o João Ricardo, após ter uma negociação frustrada (com o Corinthians), voltou e já foi relacionado. No plano.desportivo é um jogador que tem contrato com o clube e já foi comunicado ao Carpini que a decisão, a partir de agora, é dele. Se ele quer colocar para jogar, relacionar, a decisão é da comissão técnica. O ajuste financeiro eu ainda estou fazendo, indo na outra ponta com o empresário dele, mas isso não tem menhuma relação com o placo desportivo. No plano desportivo, ele (João) está apto", respondeu Pedro Martins.
Contrato de Diogo Barbosa
“O Diogo está no plano de discussão para a rescisão. Foi uma negociação mais complexa, está caminhando, estamos tentando encontrar uma solução com ele para solucionar. Não está no plano desportivo, na relação do Carpini, mas estamos tentando um caminho para ele seguir a vida dele”, explicou Pedro Martins.
Saídas do elenco
"Eu não gostaria que o Bareiro saísse, que o Moisés saísse ou que o João Ricardo saísse, mas não estamos aqui para fazer o queremos, e sim para fazer o possível para o clube no aspecto financeiro, então tudo que foi decidido, de venda e rescisão, para adequar o clube em uma nova realidade, e o João Ricardo era nisso também. Eram movimentos para ajustar o orçamento, mas hoje estamos felizes com o grupo que temos, um grupo competitivo, reunidos em conjunto com Carpini e a área técnica, para disputar a Série B. É perfeito? Não. Só que reunimos atletas de bom nível e seres humanos de excelente nível. Os caras que estão aqui querem muito estar aqui. A decisão (de saída) foi orçamentária, financeira, não é pessoal. Se tivesse dinheiro ficava todo mundo, não existe um mundo em que a gente personifique as coisas, a gente precisa tomar decisão”, apontou Pedro Martins.
Dívida do Fortaleza
“Especificamente em termos de dívida financeira, encerramos o ano com entre R$ 65 milhões e R$ 66 milhões de dívida, mas só na operação do Bareiro, nós reduzimos R$ 24 milhões dessa dívida, mas também tivemos outra divididas, e isso a gente chama de rolagem de dívida. O importante é o saldo final estar mais próximo do ano anterior, e nosso orçamento prevê ter o mesmo nível de dívida do ano anterior. O Herrera, por exemplo, foi comprado através de uma estrutura de financiamento e esse financiamento não é mais o fortaleza. Para suprir a necessidade de caixa, temos que fazer outras dívidas e nós precisamos gerir vários passivos que não são ao longo só de 2026”, complementou Bruno Cals.
Rescisões do Fortaleza
"Do ponto de vista das rescisões, o nosso objetivo sempre foi parcelar o máximo possível por questão do fluxo de caixa. A maior parte dele vai até o começo de 2028, pois nós tentamos alongar isso pelo fluxo de caixa, e isso faz parte do gerenciamento do passivo, que não é referente apenas ao ano de 2026", comentou Bruno Cals.
Patrocinador Master
"A nossa área comercial está trabalhando fortemente para vir essa questão dos patrocinadores, não só o Master, mas o geral. Estamos trabalhando forte para parcerias, mas essa não é uma situação exclusiva do Fortaleza, eu nunca tinha visto metade dos clubes começar um torneio sem patrocinador Master", abordou Bruno Cals.
Divulgação dos valores de compra de atleta
"É uma estratégia também, não queremos lá na frente ficar balizando informações de valores e etc. As informações de valores são divulgadas posteriormente, especificamente de um atleta como esse, seja Matheus Pereira, Pierre ou qualquer outro, pois podem prejudicar o clube", explicou Bruno Cals.
Série B de 2026
"Na nossa avaliação, esse elenco tem total capacidade de competir bem na Série B e lutar pelo acesso. Apostamos muito na capacidade do trabalho, de tirar o melhor dos jogadores. Se olhar de fora, vai ver fragilidade, mas todos os times possuem fragilidade, qualquer time tem problemas", abordou Pedro Martins.