Derrota escancara crise no Ceará e aumenta pressão em Mozart
O time cearense perdeu para o Atlético-GO em casa na Série B
O Ceará Sporting Club atingiu o ápice da incompetência na derrota para o Atlético-GO e escancarou a crise em Porangabuçu. O momento técnico da equipe é muito ruim, a sequência de jogos é extremamente desafiadora e tudo isso coloca em xeque o trabalho de Mozart, que está ameaçado.
As vaias no intervalo e ao fim da partida, com protestos diretos contra a diretoria e o treinador, são apenas a síntese desse sentimento de incapacidade. Até porque o roteiro tentou ajudar: o Vovô ficou 58 minutos com um a mais, e o Atlético-GO abdicou de atacar durante todo o 2º tempo da partida.
Os visitantes abriram o placar em um pênalti aos 28 minutos, com Gustavo Coutinho, e só. Inclusive, foi o 3º jogo seguido na Série B que o time cearense comete uma penalidade. A equipe reconhecida pela solidez defensiva perdeu a principal característica e agora tem uma vitória nos últimos sete jogos. Pela Série B, não vence há quatro rodadas e despencou da vice-liderança para a 12ª colocação na tabela de classificação.
Últimos sete jogos do Ceará na temporada
- Ceará 0x1 Atlético-G0 | Série B
- Vitória-BA 1x0 Ceará | Copa do Nordeste
- Sport 2x0 Ceará | Série B
- Maranhão 1x3 Ceará | Copa do Nordeste
- Ceará 3x3 Vila Nova | Série B
- Atlético-MG 2x1 Ceará | Copa do Brasil
- Londrina 0x0 Ceará | Série B
Em campo, foi uma equipe sem repertório ofensivo, vivendo um “deserto de ideias”. Foram 32 finalizações contra quatro e o excesso não se traduziu em uma verdadeira grande gama de oportunidades. Além disso, Rafael Ramos, Vina e Fernandinho perderam chances claríssimas de marcar. No fim, o único respiro era o jovem Melk, que tentava sozinho mudar o roteiro alvinegro.
Com um elenco repleto de ‘medalhões’ e reforços para atual temporada, depositar toda a esperança em um jovem de 19 anos é até covardia. Falta mais personalidade ao grupo no momento decisivo.
A derrota para o Atlético-GO foi um vexame na Série B, e os próximos compromissos podem ser um ultimato. A equipe estagnou na temporada de 2026, e a paciência da nação alvinegra já acabou.
Mozart ameaçado
O presidente João Paulo Silva escolheu manter Mozart no cargo apesar dos protestos da torcida. É fato que o profissional tem um histórico de amplo sucesso na Série B, com um título e um vice-campeonato nos últimos dois anos, mas também é evidente que o profissional está desgastado e também acuado. E na próxima semana tem o Atlético-MG pela Copa do Brasil e um Clássico-Rei.
O respaldo ao trabalho pode se encerrar em caso de novos resultados negativos. Isso somado ao cenário atual, onde tem três derrotas seguidas e apenas uma vitória nas últimas sete partidas do ano. O discurso na coletiva deste sábado (9) também gera mais antipatia pela desconexão da realidade, com a promessa de acesso à todo custo: a fé inabalável que não se sustenta ao observar o campo.
Dito isso, Mozart precisa se reinventar com o material humano que tem. É encontrar novas soluções internas, apostar mais na juventude (Melk, Giulio e João Gabriel) e utilizar esses dois grandes jogos para devolver o Ceará para o eixo. Caso contrário, a pressão externa pode tornar tudo insustentável.