Semana Municipal do Celíaco

Doença celíaca ocorre geralmente na infância, em crianças com idade entre 1 e 3 anos, mas pode surgir em qualquer idade, inclusive nas pessoas idosas

A Semana Municipal do Celíaco foi instituída pela Lei Municipal Nº 9869, de 30 de dezembro de 2011. A programação acontece de 9 a 15 de maio de cada ano, praticamente, abrindo a programação em todo o Brasil, que é realizada no dia 20 de maio, quando é celebrado o Dia Nacional dos Celíacos. Ainda dando sequência às ações, no terceiro domingo de maio, é lembrado o Dia Internacional dos Celíacos. Maio é, portanto, um mês inteiro de iniciativas para intensificar o trabalho de conscientização sobre a doença celíaca. E por falar nela, você sabe o que é a doença celíaca? Já ouviu falar nessa doença autoimune?

Doença Celíaca é uma desordem sistêmica autoimune, caracterizada pela inflamação crônica da mucosa do intestino delgado podendo resultar na atrofia das vilosidades intestinais, com consequente má absorção intestinal dos nutrientes e suas manifestações clínicas. É desencadeada pela ingestão de glúten. Glúten é uma proteína que está presente no trigo, centeio, cevada (e na aveia por contato cruzada). A doença celíaca ocorre em pessoas com tendência genética à doença. Geralmente aparece na infância, nas crianças com idade entre 1 e 3 anos, mas pode surgir em qualquer idade, inclusive nas pessoas idosas. Dentre os seus sintomas estão: diarreia crônica; Prisão de ventre; Anemia; Falta de apetite; Vômitos; Emagrecimento/obesidade; atraso no crescimento; humor alterado: irritabilidade ou desânimo; distensão abdominal (barriga inchada); dor abdominal; aftas de repetição; osteoporose/osteopenia; infertilidade e dor de cabeça.

Luta no Ceará

Em 22 de maio de 2006 foi criada a Associação de Celíacos do Brasil – secção Ceará. Segundo a gastrônoma, Ivone da Silva Souza, que preside a instituição no estado, a ACELBRA-CE, foi fundada com o objetivo de promover e articular ações de Assistência Social a nível regional, de acolhimento, orientação e defesa dos direitos e interesses das pessoas com Desordens Relacionadas ao Glúten, denominada DRG (Doença Celíaca, Dermatite Herpetiforme, Ataxia do Glúten, Alergia ao Trigo e Sensibilidade ao Glúten não Celíaca). “A ACELBRA-CE tem por finalidade, entre outras, desenvolver serviços gratuitos de proteção social básica de convivência e fortalecimentos de vínculos das famílias em vulnerabilidade ou risco social com agravos e com integrantes das DRG”, destaca Ivone Souza.

Acompanhamento multidisciplinar 

Nutricionista, pós graduada em nutrição clínica funcional, a Dra. Ismenya Linhares possui vasta experiência em atendimento clínico na área de doenças do trato gastrointestinal, alergias e intolerâncias alimentares. Segundo a especialista, “o paciente Celíaco necessita de cuidados nutricionais que vão além da exclusão do glúten, em função das lesões na mucosa intestinal e do aumento da permeabilidade intestinal, está mais sujeito a desenvolver hipersensibilidades alimentares secundárias”. Ela dá uma orientação extremamente importante para s pacientes celíacos. “É importante utilizar alimentos naturalmente isentos de glúten, como frutas, legumes, verduras, arroz, milho, feijões, ervilha, lentilha, grão de bico, carne, frango, peixe, ovos, castanhas, amêndoas, nozes, frutas secas, e evitar o excesso de alimentos industrializados isentos de glúten, muitos deles são ricos em açúcares e gorduras”, reforça Ismenya Linhares.

Outras dicas importantes no cardápio do celíaco é priorizar as frutas, legumes e verduras, principalmente, as da época, que são mais baratas e mais nutritivas. Se possível, é importante dar preferência aos orgânicos. E um alerta que não pode ser negligenciado em hipótese nenhuma. “É imprescindível que os Celíacos tenham cuidado com contaminações cruzadas. As contaminações cruzadas são vilões escondidos que podem comprometer diretamente a saúde dos pacientes”, alerta a especialista. 

Saúde mental na doença celíaca

Aceitar um diagnóstico positivo para doença celíaca, nem sempre é fácil para o paciente. A Dra. Karla Julianne Negreiros de Matos, psicóloga, especialista em Psicodrama, mestre e doutora em saúde coletiva pela Universidade Estadual do Ceará, diz que o diagnóstico da doença celíaca impacta em várias áreas da vida, afinal uma ingestão livre de glúten impõe que as pessoas evitem alimentação em locais públicos o que restringe as possibilidades de alimentação em muitos eventos. A pessoa portadora de doença celíaca, segundo ela, precisa estar preparada para viver todas as suas experiências com a sua lancheira na mão. “O celíaco precisa enfrentar a vergonha que algumas pessoas sentem por carregar sua lancheira e alimentos em locais públicos, como casamentos e shoppings. No entanto, para aqueles que ainda não superaram essa dificuldade, é comum relatos de pessoas que se isolaram e isso traz uma série de impactos na vida da pessoa, afinal bons relacionamentos são essenciais para a nossa saúde mental”, ressalta Karla Julianne.

A psicóloga reforça que o estresse que acompanha o diagnóstico, o estilo de vida que precisa mudar abruptamente corrobora para uma série de sintomas psicológicos e impactos negativos sobre a qualidade de vida. Já em casos mais graves observa-se uma sintomatologia reativa que vai desde uma depressão leve, uma simples ansiedade, até uma perturbação que afeta o processamento emocional.

Por isso, iniciativas como a da Acelbra de divulgar a doença, falar sobre os seus mitos e outras comorbidades que muitas vezes vem associadas ao primeiro diagnóstico é de grande importância para ajudar os celíacos e suas famílias a buscar mais informação e naturalmente mais qualidade de vida. A Acelbra está trabalhando em uma cartilha sobre saúde mental e doença celíaca e em um jogo psicoeducativo para ajudar as crianças a lidar melhor com o dia a dia da doença.

Alimentos sem glúten viraram “febre"

“Mas o que não aconteceu, infelizmente, junto com o crescimento exagerado desse mercado chamado free from, foram os cuidados necessários para que esse alimento fosse apto para o público que de fato necessita dele”. O comentário é da empresária, chef de cozinha inclusiva e vice diretora da Acelbra, Glicia Bonfim, que também é coordenadora do movimento de inclusão sócio alimentar nacional Incluir é Chique. Segundo ela, os alimentos sem glúten são desafiadores de fazer e nem sempre tem bons resultados, se comparados aos alimentos convencionais. “Mas o maior desafio de cozinhar para um celíaco, consiste em oferecer além de sabor, algo essencial: a segurança alimentar!”, diz Glicia. 

E, nesse caso, qual o desafio? “Todos os insumos, ou seja, toda matéria prima, utensílios e ambiente, precisam ser exclusivos, novos, com laudos, desde o plantio ao empacotamento ou envase. Uma cozinha sem glúten para venda e comercialização de produtos deve seguir esse protocolo de segurança, não basta apenas usar farinhas sem glúten, precisa controlar os traços e o ambiente. Tudo que for feito para manipular e produzir esses alimentos precisa ser exclusivo, sem traços de GLÚTEN, portanto, sem riscos de contaminação, para serem consumidos  por um celíaco”, completa a empresária.

Desde 2020, a Associação de Celíacos do Brasil – secção Ceará, trabalha para criar um Centro de Referência para a doença celíaca em Fortaleza. “Precisamos de um local que seja referência no atendimento às pessoas portadoras da doença celíaca. Um espaço onde possa acontecer desde o diagnóstico até o tratamento multidisciplinar da doença, além é, claro, do acompanhamento social das famílias”, salienta Ivone da Silva Souza, presidente da ACELBRA-CE

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