Transferência de águas do Orós e Castanhão para Fortaleza é autorizada até janeiro de 2027

Alocação das águas para a RMF é liberada pela segunda vez em 2026

Escrito por Alexia Vieira alexia.vieira@svm.com.br
02 de Julho de 2026 - 13:40
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Legenda: Água parte do Orós, viaja pelo Rio Jaguaribe, chega ao Castanhão e é transporte por meio do Eixão das Águas para a RMF.
Foto: Ismael Soares.

A transferência de água do sistema Orós/Castanhão para a Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) foi autorizada pelo Conselho de Recursos Hídricos do Ceará (Conerh). Publicada no Diário Oficial do Estado em 26 de junho, a resolução do órgão prevê a alocação do recurso até o dia 31 de janeiro de 2027.

Conforme o texto da resolução, para a decisão de transferência, foi considerado o aporte nos reservatórios do Sistema Integrado Jaguaribe-Região Metropolitana de Fortaleza na quadra chuvosa de 2026  

Procurada pelo Diário do Nordeste, a Secretaria dos Recursos Hídricos (SRH) explicou que, apesar de o sistema hídrico da RMF estar em uma situação razoável de armazenamento de água, é necessária uma complementação para a garantia plena da alta demanda da região, que concentra mais de 4 milhões de pessoas.

Questionada se as alocações de água levam em consideração o fenômeno El Niño, que deve aumentar o índice de evaporação dos reservatórios, a Pasta respondeu que as operações trabalham considerando “os piores cenários possíveis” de abastecimento.

O intuito é evitar a falta ou o racionamento de água para consumo humano e dessedentação animal. 

Na prática, a água que chegará à Capital sai das reservas do Orós, passa pelo leito do Rio Jaguaribe, chega ao Castanhão e, de lá, segue pelo sistema de canais do Eixão das Águas até o Sistema Metropolitano.

Operação complementar

Esta é a segunda vez em 2026 que a transferência de águas do Orós e Castanhão é autorizada para a Região Metropolitana. Em fevereiro, com repercussão válida para todo o primeiro semestre, a medida foi tomada como parte de uma operação complementar emergencial, quando os açudes da RMF tinham 48,3% da capacidade preenchida.

À época, o nível do reservatório Pacoti, importante para a vazão de água enviada para a Estação de Tratamento de Água (ETA) Gavião, estava em apenas 37%. A partir da ETA Gavião, a RMF quase toda é abastecida. 

Desta vez, a transferência autorizada até janeiro de 2027 faz parte da deliberação do Conselho que normalmente ocorre no fim das quadras chuvosas. Mesmo com as chuvas de fevereiro a maio, o órgão colegiado decidiu pela complementação dos recursos da RMF com as águas do Sistema Orós/Castanhão. 

RMF não recebia águas do Castanhão desde 2021

O uso dos recursos hídricos do Castanhão para a Região Metropolitana de Fortaleza não era autorizada desde 2021. Isso ocorreu, segundo a SRH, por causa do bons aportes registrados nas últimas quadras chuvosas.

Em 2021, a capacidade dos açudes a RMF terminou o período chuvoso 61,9% preenchida. Nos quatro anos seguintes, de 2022 a 2025, os reservatórios acumularam cerca de 80% do nível total ao fim da quadra. Já em 2026, o acumulado voltou aos níveis de 2021, com 60,9% no início de junho.

Água parte do Orós, viaja pelo Rio Jaguaribe, chega ao Castanhão e é transporte por meio do Eixão das Águas para a RMF.
Legenda: Água parte do Orós, viaja pelo Rio Jaguaribe, chega ao Castanhão e é transporte por meio do Eixão das Águas para a RMF.
Foto: Ismael Soares.

Como a água chega na RMF

O açude Orós, que chegou à sangria durante a quadra chuvosa deste ano, é essencial para a perenização do Rio Jaguaribe. Por meio das válvulas dispersoras do reservatório, a água armazenada corre o curso do Jaguaribe e chega até o gigante Castanhão. 

A partir do Castanhão, a água é transposta por meio do Eixão das Águas para a Região Metropolitana de Fortaleza. São mais de 200 km de canais, túneis e sifões que transportam o recurso para abastecer os municípios da RMF. 

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