Com o intuito de reforçar a proteção contra a poliomielite, o Ceará passa a contar, a partir da próxima segunda-feira (3), com um novo esquema de vacinação contra a doença. Aplicada anteriormente por via oral – versão que deu origem ao “mascote” Zé Gotinha –, a vacina passou a ser exclusivamente injetável em novembro de 2024, com aplicação em três doses e um reforço.
Agora, o cronograma ganha uma segunda dose de reforço, que deve ser aplicada aos quatro anos de idade. Assim como as demais doses, esta será aplicada com a vacina inativada poliomielite (VIP), único método de proteção desde a mudança para a vacina injetável.
A mudança acrescenta uma nova dose para garantir maior proteção às crianças. As primeiras três doses seguem sendo aplicadas aos dois, quatro e seis meses de idade, e a primeira dose de reforço segue aos 15 meses.
No Ceará, 110 mil crianças estão na faixa etária indicada e podem receber a segunda dose de reforço, segundo a coordenadora estadual de Imunização, Ana Karine Borges.
Ela explica que a decisão de retomar a segunda dose de reforço, que já existia na versão oral da vacina e foi extinta após a mudança para a versão injetável, partiu de uma queda na cobertura vacinal no País.
“Considerando todo o processo de queda das coberturas vacinais depois de 2019, de 2021, em que nós tivemos uma cobertura vacinal de 70%, a gente tem crianças que hoje estão com quatros anos de idade e que precisam nessa dose de reforço”, pontua.
“Então, o comitê técnico de especialistas do Programa Nacional de Imunização, que conta com várias sociedades científicas renomadas, avaliou e considerou o retorno da segunda dose de reforço, com a vacina inativada para crianças aos quatro anos, como uma estratégia de fortalecer a imunidade dessas crianças”, completa.
Mudança ocorre em meio à queda da cobertura vacinal no CE
Um levantamento feito pelo Diário do Nordeste com base no Painel da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS) mostra que, nos últimos três anos, houve uma queda na vacinação contra a poliomielite no Ceará.
Em 2024, 95,26% das crianças que estavam na faixa etária indicada tomaram as três doses para prevenir a doença no Estado; em 2025, o número caiu para 93,57% e, neste ano, a taxa de vacinação atingiu 90,29%, até o momento.
Ao todo, 86 municípios do Ceará não atingiram os 95% de meta vacinal das primeiras doses neste ano. Fortaleza está nessa lista, com apenas 79,83% do público-alvo vacinado. Em 2026, a primeira dose de reforço também não teve metas atingidas em 107 cidades do Ceará.
Em todo o ano de 2025, 41 municípios não atingiram a meta das três primeiras doses, incluindo Fortaleza, que registrou 83,78% de crianças vacinadas. Os municípios que registraram as piores taxas de vacinação foram Guaramiranga (71,91%), Baixio (78,57%) e Ipu (82,16%).
No ano passado, o número de municípios com déficit vacinal aumentou em relação a 2024, quando apenas 33 municípios não atingiram a meta das três primeiras doses.
Em entrevista à Verdinha FM na última segunda-feira (27), a secretária da Saúde do Estado, Tânia Mara Coelho, afirmou que, a partir do dia 3, todos os municípios do Ceará já estarão com as doses necessárias para começar o novo esquema vacinal.
A gestora aproveitou para relembrar que, apesar de a poliomielite estar erradicada no Brasil, a única forma de se manter 100% seguro da contaminação é através da vacinação.
Por que vacinar contra a poliomielite?
A poliomielite é uma doença viral que pode causar sequelas graves, sendo a principal delas a paralisia infantil.
Apesar de o Brasil considerar a doença erradicada desde 1989 e boa parte do mundo não registrar casos há décadas, dois países ainda contam com casos do vírus selvagem que causa o problema de saúde – Afeganistão e Paquistão –, o que faz com que a vacinação ainda seja essencial para evitar uma possível retomada de casos.
Com a chegada de uma quinta dose contra a doença, pais e responsáveis devem ficar ainda mais atentos às cadernetas de vacinação das crianças, já que a proteção completa só é garantida com a aplicação de todas as doses.
“A gente realiza esse monitoramento, essa vigilância, para manter sempre as coberturas vacinais em níveis elevados, em níveis homogêneos, tanto entre os países como entre os estados e entre os municípios, porque se a gente tem um acúmulo de crianças não vacinadas, com esquema de vacinação em atraso, a gente coloca um cenário de risco de retorno dessa doença”, contextualiza Ana Karine Borges.
“A proteção só se dá por completo mediante o esquema de vacinação também completo”, acrescenta.
Como será o novo esquema vacinal?
- Primeira dose: aos 2 meses de idade
- Segunda dose: aos 4 meses de idade
- Terceira dose: aos 6 meses de idade
- Primeiro reforço: aos 15 meses (1 ano e 3 meses) de idade
- Segundo reforço: aos 4 anos de idade
Onde tomar a vacina contra a poliomielite?
Segundo a secretária Tânia Mara Coelho afirmou em entrevista à Verdinha FM, a vacina estará disponível em todos os postos de saúde a partir do dia 3 de agosto.
“Aproveito também para chamar os pais e responsáveis para que a gente possa também atualizar o cartão vacinal das crianças para as outras vacinas que porventura estejam atrasadas ou deixaram de ser feitas”, destacou. “Inclusive, os adultos podem se vacinar. Sempre digo que tudo é oportunidade para se vacinar”, completou.
Atualmente, além da vacina contra a poliomielite, outras 18 vacinas integram o calendário de vacinação do Sistema Único de Saúde (SUS). Algumas delas também exigem mais de uma dose para proteção completa.