O que colégio em Fortaleza planejou contra bullying na volta às aulas após morte de aluna

Instituição afirmou que deve ampliar capacitações e reforçar ações de acolhimento.

Escrito por João Lima Neto joao.lima@svm.com.br
31 de Julho de 2026 - 06:00
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Legenda: Profissionais da instituição de ensino vão passar por capacitação de professores, treinamento de monitores em prevenção e pós-venção ao suicídio e intervenção em crises. Haverá ainda encontros com pais e responsáveis, reforçando a parceria entre família e escola.
Foto: Kid Jr/SVM.

O retorno às aulas no Colégio Militar do Corpo de Bombeiros Escritora Rachel de Queiroz (CMCB), na próxima segunda-feira (3), será diferente da rotina habitual. O que tradicionalmente marca o reencontro entre estudantes após o período de férias também será um momento de acolhimento, conscientização e fortalecimento das ações de prevenção ao bullying e de promoção da saúde mental.

A programação foi organizada após a morte de uma estudante de 11 anos da instituição, registrada em 23 de julho. Em investigação conduzida pela Polícia Civil, a família da criança afirma que a criança sofria episódios de bullying dentro da escola. Até uma transferência escolar foi solicitada pelos pais após tomarem conhecimento dos relatos de violência. 

Ao Diário do Nordeste, a direção do Corpo de Bombeiros informou que pelo menos 10 ações foram planejadas de forma integrada para fortalecer a cultura de paz, o desenvolvimento socioemocional dos estudantes e a identificação precoce de situações de vulnerabilidade. As ações ocorrerão já na semana de retorno às aulas.

Ações previstas para a volta às aulas

Entre as medidas anunciadas pelo Colégio Militar, estão:

  • Lançamento do programa "Nota 10, Bullying Zero", iniciativa permanente voltada à promoção do respeito, da convivência saudável e da prevenção à violência no ambiente escolar;
  • Treinamento em Educação Socioemocional para estudantes, com atividades sobre empatia, comunicação, autocuidado, resolução pacífica de conflitos e fortalecimento dos vínculos entre os alunos;
  • Acompanhamento específico para estudantes que necessitem de atenção diferenciada;
  • Capacitação de professores sobre acolhimento e apoio aos estudantes;
  • Treinamento de monitores em prevenção e pós-venção ao suicídio e intervenção em crises;
  • Encontros com pais e responsáveis, reforçando a parceria entre família e escola;
  • Ciclo permanente de palestras e capacitações sobre promoção da saúde mental;
  • Formação de Guardiões da Vida e Primeiros Socorros Psicológicos, ampliando a preparação dos profissionais para identificar sinais de vulnerabilidade;
  • Visitas de acolhimento às famílias de estudantes, oferecendo apoio e acompanhamento;
  • Articulação com a rede de proteção, por meio de reuniões com representantes do Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), psicólogos e assistentes sociais.

MP disponibiliza cartilha destinada a orientar gestores, educadores e a comunidade escolar sobre a condução adequada de situações envolvendo o tema.
Legenda: MP disponibiliza cartilha destinada a orientar gestores, educadores e a comunidade escolar sobre a condução adequada de situações envolvendo o tema.
Foto: Divulgação/MPCE.

Planejamento envolveu Ministério Público

As ações foram discutidas em reuniões de planejamento realizadas entre representantes da direção do Colégio Militar, do Corpo de Bombeiros Militar do Ceará e do MPCE. Participaram dos encontros a procuradora de Justiça Isabel Porto e o promotor de Justiça Ayrton Foch, além de psicólogos e assistentes sociais que atuam na rede de proteção à infância e adolescência.

Em nota, o MPCE manifestou pesar pela morte da estudante e destacou que o caso reforça a importância de ampliar as ações de prevenção e enfrentamento ao bullying e ao cyberbullying nas escolas.

Segundo o órgão, a proteção de crianças e adolescentes depende da atuação conjunta das famílias, das instituições de ensino, do poder público e da sociedade para prevenir situações de violência e promover ambientes escolares seguros, inclusivos e respeitosos.

A entidade informou que o Centro de Apoio Operacional da Educação (Caoeduc) encaminhou a demanda para uma Promotoria de Justiça da Educação de Fortaleza, que adotará as providências cabíveis no âmbito de suas atribuições.

Paralelamente, representantes do Caoeduc e do Centro de Apoio Operacional da Saúde (Caosaúde) prestarão acolhimento institucional, suporte, escuta e acompanhamento dos desdobramentos do caso.

O órgão destacou que desenvolve ações permanentes por meio do programa Previne – Violência nas Escolas, Não!, que promove um módulo específico sobre bullying e cyberbullying, com orientações para identificação de sinais, acolhimento das vítimas e estratégias de prevenção.

Outra iniciativa citada pelo Ministério Público é o programa Vidas Preservadas, coordenado pelo Caosaúde, voltado à promoção da saúde mental e ao fortalecimento das redes de apoio nos municípios cearenses. Atualmente, 159 dos 184 municípios do Estado aderiram ao programa.

Família relatou episódios de bullying

Em entrevista ao Diário do Nordeste, os pais da criança afirmaram que descobriram, por meio da irmã da estudante, relatos de bullying e agressões no ambiente escolar. Segundo a família, após tomar conhecimento da situação, a direção do colégio foi instada a uma nova transferência da filha.

De acordo com os responsáveis, a direção informou que a mudança de unidade não seria possível em razão das regras do sistema dos colégios militares, mas garantiu que adotaria providências para enfrentar os episódios de bullying.

O Corpo de Bombeiros informou anteriormente que o pedido inicial de transferência havia sido feito por questões de logística e que a mudança entre colégios militares não poderia ser autorizada antes da conclusão de um ano letivo, conforme prevê o regimento interno da instituição.

A corporação também afirmou que prestou acolhimento à estudante e à família e adotou os procedimentos previstos em seus protocolos internos.

Onde buscar ajuda no Ceará

Pessoas em sofrimento emocional ou com pensamentos suicidas podem procurar atendimento gratuito na rede pública de saúde.

  • Centros de Atenção Psicossocial (Caps): presentes em Fortaleza e em diversos municípios cearenses, oferecem acompanhamento psicológico e psiquiátrico pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O acesso pode ocorrer por encaminhamento da Unidade Básica de Saúde (UBS) ou conforme o fluxo adotado pelo município.
  • Unidades Básicas de Saúde (UBSs): são a principal porta de entrada da Rede de Atenção Psicossocial e podem realizar acolhimento, avaliação e encaminhamento para atendimento especializado.
  • Situações de urgência: em caso de risco imediato, procure uma UPA 24 horas, um hospital de emergência ou acione o Samu pelo telefone 192.
  • Centro de Valorização da Vida (CVV): atendimento gratuito e sigiloso 24 horas pelo telefone 188 ou pelo site http://www.cvv.org.br.
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