Saudades do Redentorista

Escrito por
Redação producaodiario@svm.com.br
(Atualizado às 00:00, em 02 de Agosto de 2015)

Há poucos dias, soube que o prédio do antigo Colégio Redentorista, no bairro de Rodolfo Teófilo, será demolido. A especulação imobiliária, ávida por expandir-se em outras regiões da cidade, atinge agora a Parquelândia e arredores, de olho em vastos terrenos onde possa erguer novos empreendimentos. Assim, em breve o velho Redentorista sumirá da paisagem urbana, deixando enorme vazio na memória afetiva dos seus ex-alunos, entre os quais me incluo. Sempre cri que um colégio não se faz apenas pelo realce na comunidade educacional em função da aprovação de grande número de alunos nos exames de acesso às universidades, como hoje ocorre, nesta disputa entre grandes escolas locais. Um colégio deve destacar-se também por forjar os caracteres de seus educandos, infundindo-lhes a importância de valores como respeito, amizade, honestidade, solidariedade e cidadania. Neste ponto, o Redentorista, fundado em 1966 pela congregação de padres irlandeses, atingiu seus objetivos, dando ainda a seus alunos a basilar formação religiosa cristã, preparando-os para os desafios da vida. O colégio encerrou suas atividades em 1999, num período em que outras tradicionais instituições religiosas gradativamente desapareceram, como o Cearense e o das Doroteias. Ali estudei entre 1972 e 1977, quando toda uma geração alcançou ótimos resultados nos vestibulares. Rendo tributo aos padres Joseph Hanrahan, Dermival O'Connor, Brendan Coleman McDonald e Luís O'Tiomanaidhe, dos quais fui contemporâneo ao tempo em que seguidamente dirigiram o Redentorista. Recordando os velhos e bons tempos, homenageio os professores Francisco Dias (Português), Crisantina (Geografia) e Erasmo (Matemática), entre tantos outros dos quais fomos discípulos. As reuniões de pais e mestres reconheciam os alunos dedicados e serviam para acompanhar o rendimento dos mais avessos aos estudos. Na biblioteca, sem os modernos recursos da internet, líamos e pesquisávamos bastante para cumprir os trabalhos solicitados pelos mestres. O Redentorista, sem dúvida, será sempre lembrado com gostosa saudade por todos os que ali conviveram.

Gilson Barbosa
Jornalista