Areia movediça

Escrito por
Redação producaodiario@svm.com.br

A mente é o mais misterioso enigma humano. Muitas vezes tento refletir como um psicótico, para que a tradução do meu pensar e aquilo que vem na minha singela arte de redigir possa beneficiar quem o seja. Mas como sê-lo sem sê-lo? O que tem nas entranhas da mente doentia, além de uma incomum e sôfrega incompreensão é a pouca necessidade de se conhecer, que algumas vezes se iguala com a condição de se finalizar ou evaporar-se no tempo e espaço. Com frequência a onda que encaminha para a areia movediça do sofrimento é loquazmente rápida, e poucos seres se aventuram para destravar o que é perturbador. Enclausurado nas trevas que bloqueiam as boas ações e a satisfação pessoal muitos doentes sofrem por toda vida sem buscar melhoras, ou se conhecer. Ter a capacidade de pensar pode ser mutante. O excesso do que maltrata desarmoniza a gangorra do equilíbrio.

Areia movediça da incompreensão, a maturidade nos tira da tirania do sofrimento, desde que algo façamos para combatê-lo. Todo excesso é veneno e pode esconder o antídoto da paz na mente. Aprender a decifrar e aceitar adversidades pode trazer muitos ganhos para o aparelho psíquico. Precisam criar uma blindagem em relação aos temores e traduzir o que barra o crescimento, aliando-o a uma valiosa energia e espiritualidade. Algumas vezes somente quando estamos dentro da areia movediça do mal percebemos o bem que nos rodeia; noutras circunstâncias, a rocha do narcisismo e das perdas evita que possamos pensar, questionando o que destrói. Algumas pessoas precisam fugir de sua loucura, mas têm dificuldades para emergir dessa areia movediça. Que se curem com a fala, mas também na leitura, na pintura, na escrita e na capacidade de refletir; ou em algo mais que o bem oferece...

Russen Moreira Conrado

Médico e escritor