A Justiça cearense rejeitou, pela segunda vez, o pedido de liberdade interposto pela defesa de Ludmila Sampaio Santos, 25, apontada como a integrante do Comando Vermelho (CV) que atraiu um membro da facção criminosa rival para um encontro íntimo que o levou à morte. O caso aconteceu em agosto de 2025, em Fortaleza.
A defesa da acusada, representada pelo advogado Paulo Quezado, afirmou ao Diário do Nordeste que irá recorrer a tribunais superiores, como o Superior Tribunal de Justiça (STJ), para conseguir a soltura.
A decisão da 6ª Vara do Júri da Comarca de Fortaleza de manter a prisão preventiva da acusada data da última quarta-feira (24).
O colegiado reforçou os indícios de materialidade e autoria do crime listados no inquérito, incluindo vídeos, prints e depoimentos de testemunhas sigilosas que comprovam que Ludmila atraiu João Rennan Lima dos Santos para a morte em um motel no bairro Vila Manoel Sátiro.
Como no primeiro pedido à Justiça, a defesa solicitou a transferência da prisão preventiva para a domiciliar, pois a ré tem uma filha de seis anos que convive com Transtorno do Espectro Autista (TEA). No entanto, em razão de o crime ter sido cometido com "violência extrema" e em "contexto de organização criminosa", a solicitação não foi aceita.
A Justiça considerou ainda que a presença da mãe não é "imprescindível" para os cuidados com a filha, uma vez que ela possui rede de apoio familiar, e que o processo está em fase de instrução, com uma nova etapa de oitivas prevista para a próxima segunda-feira (6).
Emboscada motivada por vingança
O crime aconteceu em agosto de 2025, em um motel na Vila Manoel Sátiro, em Fortaleza. A vítima, João Rennan Lima dos Santos, de 20 anos, era conhecida como "Puro Amor" e integrava a facção criminosa Guardiões do Estado (GDE), atualmente ligada ao Terceiro Comando Puro (TCP).
Ludmila teria atraído João Rennan para a emboscada movida por uma suposta vingança pela morte de uma outra integrante do CV, identificada nos autos apenas como "Grazielly", que teria sido assassinada por "Puro Amor".
Conforme as investigações policiais, a acusada manteve conversas com a vítima por uma rede social, onde insistiu por uma data, um local e um horário exatos para o encontro.
Homem foi morto a tiros
No motel, enquanto João Rennan conversava com Ludmila encostado em sua motocicleta, ele foi surpreendido por diversos tiros disparados por outros dois homens, identificados, depois, como Francisco Roberty Souza Galeno, o "Roberty", e Antônio Cristian Monteiro de Oliveira, o "Maguin".
Imagens de câmeras de segurança do local registraram o momento em que Ludmila se afastou de João Rennan ao perceber os aliados se aproximando para a execução. Ela fugiu em direção contrária à cena do crime, sem demonstrar pavor ou surpresa. Já os executores fugiram em um veículo de apoio.
Os três respondem por homicídio consumado e por integrar organização criminosa armada.
A Polícia identificou postagens da GDE nas redes sociais classificando Ludmila como "Judas" (traidora) por participar da morte de "Puro Amor".
Quem são os outros dois réus no processo?
"Roberty" e "Maguin", apontados como executores do crime, também são ligados ao Comando Vermelho.
O primeiro é classificado pela acusação como "soldado" da facção, por envolvimento em diversos homicídios atribuídos à disputa territorial do CV com a GDE na região da Vila Manoel Sátiro. Ele foi capturado ainda no ano passado, antes da denúncia criminal ofertada pelo Ministério Público do Ceará (MPCE), devido a um mandado de prisão por outro homicídio que estava em aberto.
Já o "Maguin" é reconhecido pela inteligência policial e por testemunhas como participante de disputas armadas na região onde ocorreu a morte de "Puro Amor".
Em documentos aos quais o Diário do Nordeste teve acesso, as defesas de ambos os réus negam participação no crime. Os advogados de "Maguin" alegam fragilidade da denúncia e solicitam perícia técnica das imagens de câmeras de segurança, enquanto os de "Roberty" contestam o vínculo dele com o CV apontado pela Polícia.