Operação Omertá: saiba quem é o chefe do CV casado com PM afastada do cargo em Sobral

Natanael de Sousa Bento é responsável por executar, na cidade, as ordens de Jairo Morais de Vasconcelos, o 'JJ', que está escondido no Rio de Janeiro.

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
13 de Agosto de 2026 - 14:00
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Legenda: A policial militar foi cautelarmente afastada das funções.
Foto: Divulgação/PMCE.

Uma policial militar casada com um chefe do Comando Vermelho (CV) em Sobral, na Região Norte do Ceará, foi alvo de mandados de busca e apreensão no âmbito da Operação Omertá, deflagrada nessa terça-feira (11) pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco-CE). Ela foi afastada do cargo por 180 dias.

A Operação Omertá apura a suposta influência da organização criminosa carioca nas eleições municipais de 2024 e no processo eleitoral deste ano. O trabalho investigativo resultou na prisão de três vereadores de Sobral e de outras quatro pessoas.

A Operação Omertá foi deflagrada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Ceará (FICCO/CE), pelo o Ministério Público Eleitoral, por meio da 3ª Promotoria Eleitoral, e pelo Grupo Auxiliar Eleitoral (GAEL).
Legenda: A Operação Omertá foi deflagrada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Ceará (FICCO/CE), pelo o Ministério Público Eleitoral, por meio da 3ª Promotoria Eleitoral, e pelo Grupo Auxiliar Eleitoral (GAEL).
Foto: Divulgação/Ficco/CE.

O Diário do Nordeste apurou que o líder do CV casado com a PM afastada é Natanael de Sousa Bento, o 'Natan'. Na hierarquia local da facção, ele está abaixo de Jairo Morais de Vasconcelos, o 'JJ', e de Manoel Messias Domingos Neto, o 'Camuflado'. A dupla está escondida no Rio de Janeiro, de onde segue dando ordens para a tomada de território pelo crime organizado em Sobral. E 'Natan' é justamente o principal executor dessas ordens.

'Camuflado' e 'JJ' chegaram a ser apontados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) como integrantes do grupo que promoveu ataques à campanha da então candidata à Prefeitura de Sobral em 2024, Izolda Cela. Eles teriam ordenado agressões a apoiadores da candidata e feito disparos de rojões e ameaças na região.

'Natan', segundo as investigações, seria responsável direto por coagir e ameaçar eleitores da cidade.

Conforme dito na coletiva de imprensa na terça-feira (11), que contou com a presença de promotores do Ministério Público Eleitoral, do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) e do Gaeco Norte, além de representantes da Polícia Federal (PF) e da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Ceará (Ficco-CE), a facção teria, além disso, cobrado "pedágios" de até R$ 60 mil para candidatos acessarem determinados bairros dos municípios. Os detentores de mandatos pagariam o valor mais caro, enquanto os estreantes desembolsariam a metade.

PM foi afastada como 'medida cautelar'

Na coletiva de terça-feira, foi informado que a policial afastada ingressou nos quadros da Polícia Militar do Ceará (PMCE) em 2022 e tem a patente de soldado. O papel dela no esquema criminoso não foi informado.

A Polícia Militar informou, em nota, que prestou apoio à PF durante o cumprimento do mandado de busca e apreensão na casa da soldado e que, na ocasião, um aparelho celular foi apreendido. "Em razão da investigação em andamento e como medida cautelar administrativa, a policial militar foi afastada de suas funções operacionais, até a conclusão das apurações. A PMCE ressalta que acompanha o caso e permanece à disposição das autoridades responsáveis pela investigação para colaborar com os esclarecimentos necessários", informou a Corporação.

Já a Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e do Sistema Penitenciário (CGD) informou à reportagem que solicitou o compartilhamento de todo o material relacionado ao caso, "com a finalidade de apurar a conduta da policial militar na esfera administrativo-disciplinar".

Operação Omertá

A operação apura a interferência do Comando Vermelho nas eleições municipais de Sobral em 2024 e no atual processo eleitoral. Foram cumpridos 14 mandados de prisão preventiva e 25 de busca e apreensão. Além disso, foram aplicadas cinco medidas de afastamento cautelar de cargos públicos. As ordens foram expedidas pela 3ª Zona Eleitoral de Fortaleza.

Os parlamentares que tiveram suas prisões preventivas decretadas foram Carlos do Calisto (PSB), Mário Vicktor (União Brasil) e Junim do Povo (Podemos). Eles também foram afastados judicialmente dos seus mandatos por 180 dias, abrindo espaço para suplentes.

Segundo o promotor Igor Pinheiro, coordenador do Grupo Auxiliar Eleitoral (Gael) do MPCE, os investigadores tomaram conhecimento de eventos políticos marcados para este ano que não foram realizados por ameaças da facção. "Nós temos eventos políticos marcados em 2026 que não foram realizados por ação da organização criminosa. De ir até o local, ameaçar os participantes e os proprietários do local, dizendo que, se efetivamente tivesse a reunião, iriam 'tacar fogo', 'meter bala' e matar as pessoas", afirmou.

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