Justiça libera advogada suspeita de ser 'porta-voz' de facção no Ceará

O alvará de soltura em favor de Priscila Carvalho Melo foi cumprido na última quinta-feira (6). Ela é ex-companheira de um presidiário ligado ao Comando Vermelho (CV).

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
13 de Agosto de 2026 - 13:00
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Legenda: A advogada deixou o presídio no último dia 6.
Foto: Kid Júnior

Um mês depois de ser presa, uma advogada cearense suspeita de atuar como "porta-voz" de facções criminosas no Estado foi solta. Priscila Carvalho Melo deixou a Unidade Prisional Feminina Desembargadora Auri Moura Costa (UPF) na última quinta-feira (6), após a Justiça entender que a conduta dela não se enquadrava no crime de integrar organização criminosa, mas, sim, no delito de favorecimento real, que significa prestar auxílio a criminoso. Neste caso, a pena é branda e de, no máximo, seis meses de detenção.

A outra advogada presa na Operação Impacto VII, deflagrada pela Polícia Civil do Ceará (PC-CE) no último 30 de junho, segue presa e investigada por integrar o crime organizado. Maria Viviane de Vasconcelos Silva foi capturada na própria casa, em Pacatuba, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF).

Conforme documentos obtidos pela reportagem, ela não teria sido beneficiada com a soltura coletiva porque a investigação teria sustentado que ela teria usado suas prerrogativas de advogada para servir de elo para a extinta facção Guardiões do Estado (GDE), levando e trazendo ordens, recados e "decretos" de líderes presos para suas tropas em liberdade.

Também teria sido comprovado que ela teria recebido e repassado valores destinados a familiares de detentos. Além disso, ela teria transmitido pedidos de armas para enfrentamento a facções rivais e repassado ordens para a expansão do domínio do tráfico em Fortaleza.

Outros 30 presos na mesma operação foram soltos

Assim como Priscila Melo, que passou a responder por favorecimento real, outras 30 pessoas presas na Operação Impacto VII — 28 mulheres e dois homens — também foram soltas na última semana pelo mesmo motivo.

O grupo teve sua conduta revista pelo Ministério Público do Estado (MPCE), que entendeu que não havia provas suficientes de que integrassem organizações criminosas de maneira estável e funcional. Por causa da nova classificação, o processo foi desmembrado e enviado para varas criminais comuns ou juizados especiais.

Segundo as investigações iniciais, os suspeitos teriam servido de "laranjas" e disponibilizado contas bancárias e chaves Pix para que integrantes da GDE recebessem as "ajudas financeiras" pagas aos quadros da facção.

Advogada é ex-companheira de detento

Priscila, especificamente, de acordo com os autos, teria apoiado logisticamente e financeiramente os crimes de Fabiano Cavalcante da Silva, o 'Jhow', seu ex-companheiro, vinculado ao Comando Vermelho (CV). Uma das provas que havia contra ela foi extraída do celular de Patrícia de Paula de Sousa Bezerra, a já falecida 'Fartare', gestora financeira da GDE.

A Polícia encontrou no aparelho da criminosa uma conversa com o contato salvo "Esposa Jhow" e vinculou o número à advogada. Também foram apresentados comprovantes Pix que demonstravam que Priscila fornecia dados bancários para o pagamento da "ajuda" à facção.

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