Polícia ouviu 29 pessoas e analisou 17 laudos no inquérito sobre a morte de Isabelle Caracristi

A investigação policial foi concluída e remetida ao Poder Judiciário na última quinta-feira (30).

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
06 de Outubro de 2026 - 18:34
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Legenda: Isabelle Caracristi morreu aos 22 anos, em Fortaleza.
Foto: Reprodução/Redes Sociais.

A Polícia Civil do Ceará (PCCE) ouviu 29 pessoas no inquérito que apurou a morte da universitária Isabelle Caracristi, 22. Além do então namorado da vítima, João Munhoz Neto, 34, e de familiares dele e dela, foram colhidos depoimentos de amigos e colegas de trabalho do casal e moradores e funcionários do edifício La Piazza, na Aldeota, onde a jovem morreu.

A conclusão do inquérito foi anunciada pelas forças de segurança do Estado nesta terça-feira (6). Com o fim das investigações, João Munhoz foi indiciado por violência psicológica e fraude processual. O procedimento foi remetido ao Poder Judiciário no último dia 30 de setembro, 17 dias após a queda de Isabelle do prédio onde ela morava com o namorado.

Cabe, agora, ao Ministério Público do Ceará (MPCE), decidir se denuncia ou não João. E, depois, ao Tribunal de Justiça do Estado (TJCE), dizer se acolhe ou recusa a denúncia.

Durante a apuração, que foi conduzida por equipes da 2ª Delegacia de Polícia da Capital, da 2ª Delegacia de Defesa da Mulher e do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), a Perícia Forense do Estado (Pefoce) ainda elaborou 17 laudos diferentes sobre a morte da universitária e concluiu que tratou-se de uma "precipitação voluntária".

Entre os laudos periciais, foram feitos: necropsia, toxicológico, local de crime, laudo de DNA, papiloscopia, análise de áudio e de vídeo em câmeras e dispositivos tecnológicos. "Foram analisadas cerca de 700 vídeos de imagens de câmeras colhidas durante o processo de investigação", informou o Governo.

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Foi o número de peritos envolvidos na investigação da morte de Isabelle Caracristi.

Prisão de namorado foi para 'garantir instrução criminal'

Ainda no comunicado sobre o encerramento do inquérito, a SSPDS afirmou que o mandado de prisão preventiva cumprido contra João Munhoz Neto no dia 22 de setembro foi para "garantir a instrução criminal" e "assegurar a aplicação da lei penal". O bacharel em Direito foi solto com medidas cautelares na última quinta-feira (1º).

No indiciamento, a Polícia não responsabilizou João Munhoz por induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio de Isabelle.

Mais cedo, nesta terça-feira, a defesa do namorado, representada pela advogada Lígia Peixe, negou ter havido obstrução de Justiça. "Pelo contrário, nosso cliente sempre cooperou integralmente com as investigações", disse. "João disponibilizou o telefone de seu irmão para a Polícia e a Perícia no dia do fato. Tanto é verdade que foi por meio desse número que a Polícia entrou em contato [com a família da universitária]", acrescentou.

Já em relação à violência psicológica, a advogada considerou que a imputação foi um "completo absurdo". "Nosso cliente sempre tratou Isabelle com carinho e afeto. Como um relacionamento tão breve, de apenas cerca de 30 dias, poderia ter gerado o quadro que estão alegando? Acreditamos que há uma tentativa de transferir para o nosso cliente problemas e questões que ela muito provavelmente já vivia anteriormente", comentou Lígia.

Para as autoridades, contudo, ficou evidenciado que a universitária sofreu uma sequência progressiva de violência, acompanhada de manifestações cada vez mais intensas de sofrimento por parte da vítima, que revelou, em mensagens, que se sentia ameaçada, manipulada, sobrecarregada e presa.

João Munhoz Neto e Isabelle Caracristi começaram a namorar cerca de dois meses antes da morte da jovem. Ela, universitária do curso de Direito, começou a trabalhar como estagiária em um escritório onde João atuava como gestor.

Entenda o caso

Isabelle Caracristi morreu no último 13 de setembro, após cair do 23º andar de um prédio residencial na Aldeota, em Fortaleza, onde ela morava com o namorado, João Munhoz, a sogra e o cunhado. Poucos dias após o fato, a mãe da universitária, Isorlanda Caracristi, foi às redes sociais exigir respostas sobre as circunstâncias da morte da filha.

A repercussão da postagem mobilizou as forças de segurança do Ceará, que acionaram o Grupo Especial de Investigação (GEI) para desvendar o caso.

Enquanto a Polícia trabalhava, o Diário do Nordeste publicou uma série de matérias que mostraram os rumos da investigação. Foram reveladas mensagens de Isabelle afirmando que o relacionamento de aproximadamente dois meses com João era abusivo e publicado que o chefe do casal, Rudá Bezerra de Carvalho, era contrarário ao namoro no trabalho.

Também foi mostrado, em vídeos, que João não estava no edifício La Piazza no momento da queda da namorada, e foram destacadas diversas falas de familiares de Isabelle.

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