Estudante de Direito é encontrada morta em condomínio onde morava com namorado na Aldeota

Isabelle Caracristi tinha 22 anos e cursava Direito. A causa da morte ainda é desconhecida. O namorado desapareceu.

18 de Setembro de 2026 - 17:10 (Atualizado às 18:41)
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Legenda: Isabelle fazia o terceiro semestre de direito.
Foto: Reprodução/Instagram.

A universitária Isabelle Caracristi, de 22 anos, foi encontrada morta no pátio de um condomínio na Aldeota, em Fortaleza, na noite do último domingo (13). As circunstâncias da morte, no entanto, ainda são desconhecidas para a família, que só soube do que aconteceu na manhã seguinte, quando a mãe dela, estranhando a falta de contato, foi ao prédio.

O caso veio à tona na noite da última quarta-feira (16), com um relato desesperado da mãe, a professora Isorlanda Caracristi, nas redes sociais. "Minha filha estava viva e voltou morta para os meus braços", denunciou. Na noite em que morreu, Isabelle estava na casa do namorado, onde passou a morar recentemente.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) informou que a Polícia Militar (PMCE) e a Perícia Forense (Pefoce) foram acionadas para o local e acrescentou que somente o laudo cadavérico da vítima poderá confirmar a causa da morte. O caso é investigado pela 2ª Delegacia de Polícia Civil da Capital.

Universitária parou de dar notícias para a família

Em contato com a reportagem, o irmão de Isabelle, Rafael Magalhães, contou que Isorlanda soube da morte da filha na segunda-feira (14), após estranhar a falta de respostas desde a noite de domingo, o que era incomum na relação entre as duas. A mãe também tentou ligar para o genro, mas não teve retorno. Tentou, ainda, procurá-lo nas redes sociais, mas descobriu que estava bloqueada. Nesta sexta-feira (18), o perfil do namorado, bacharel em Direito, já nem sequer existia.

A Isabelle passou uma semana com a minha mãe. No domingo, passou o dia com ela e, depois, por volta de 17 horas, disse que ia para uma procissão na Igreja de Fátima [com o namorado e a mãe dele]. Ao fim da noite, minha mãe mandou mensagem para a Isabelle, e achou estranho que ela não respondeu. Ela tinha uma dinâmica de responder prontamente. Aí ela [Isorlanda] dormiu com uma sensação ruim. Na segunda de manhã, começou a ligar. Ligou para o João [namorado], também, que não atendia. Não chegava mensagem. Depois foi que minha mãe viu no Instagram que ele tinha bloqueado tanto a ela quanto a mim. Eu estava no Rio de Janeiro, voltando para Fortaleza".
Rafael Magalhães
Irmão de Isabelle

No condomínio do genro, a mãe da vítima soube pela síndica que a filha foi encontrada morta no pátio do prédio, na noite anterior. Disseram que não informaram à família porque não tinham contato e que tentaram contatar a família do namorado, mas não tiveram retorno. "Não entramos no apartamento. A gente não sabe de roupas, documentos", disse Rafael.

Na nota enviada ao Diário do Nordeste, a Polícia Civil não diz se entrou no apartamento, nem se trata o namorado da vítima como suspeito.

Namoro rápido e conturbado com 'advogado'

Segundo Rafael, Isabelle cursava o segundo semestre de Direito. Poucos meses atrás, ela passou em uma seleção de estágio em um escritório de advocacia da Capital e, cerca de duas semanas depois, anunciou que estava namorando um homem que se apresentava como um dos sócios da empresa. "Até onde a gente sabe, ela não respondia diretamente a ele, mas, nas primeiras semanas, ele 'organizou' para que ela fosse a estagiária dele. Daí eles começaram a conversar e começaram a namorar", relatou.

O Diário do Nordeste não localizou o registro do namorado de Isabelle na Ordem dos Advogados do Brasil no Ceará (OAB-CE). Ele se apresenta apenas como bacharel em Direito. A reportagem também tentou entrar em contato com o escritório pelo número de telefone que consta em uma rede social da empresa, mas não teve resposta.

A família estranhou o relacionamento devido às posições hierárquicas dos dois: ele, chefe; ela, estagiária. "Como estagiária, ela entrava 7h e saía 22h. A gente questionou que estágio era esse, mas ela dizia que ele tinha dado muitas oportunidades para ela, ela já tinha começado a participar de audiências de instrução. Houve um encantamento", entendeu o irmão.

O namoro começou no último mês de julho e logo evoluiu para uma moradia compartilhada. "Ele convidou ela para morar com ele e a mãe. Os três no apartamento", continuou Rafael.

Com a repercussão da morte de Isabelle, Rafael contou que a família começou a receber diversos relatos de assédios sexuais supostamente praticados pelo namorado dela contra outras estagiárias. A família também soube de condôminos do prédio que a vítima e o bacharel em Direito estariam noivos e que ela, possivelmente, estaria grávida.

Família reconheceu o corpo

O corpo de Isabelle foi reconhecido por Rafael na terça-feira (15). Na sede da Pefoce, a família foi informada pelos peritos que o laudo cadavérico deve sair em até 30 dias, e que não é possível ainda afirmar a causa da morte. A universitária foi velada e sepultada no mesmo dia, no Cemitério Parque da Paz, e ninguém da família do namorado dela entrou em contato para dar os pêsames.

O irmão ressalta ainda que não tinha conhecimento de que a jovem sofria de transtornos psicológicos. Para ele, ela parecia, na verdade, estar contente e empolgada com os rumos profissionais. "Ela, desde pequena, dizia que queria ser juíza criminal, para atender crianças e mulheres. Ela ficou muito feliz quando recebeu a bolsa-estágio", contou.

No entanto, o que ele sabe, e foi reforçado no relato da professora Isorlanda, é que o cunhado tinha comportamentos agressivos e possessivos e que já chegou a pedir emprestado o cartão de crédito de Isabelle.

Até o fechamento desta matéria, nem o namorado da vítima nem a mãe dele haviam aparecido.

Caso repercute nas redes sociais 

A morte da universitária de 22 anos repercutiu nas redes sociais nesta semana e foi lamentada por entidades. A Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB), da qual a mãe de Isabelle faz parte, publicou uma nota de pesar. 

"Neste momento de profunda dor, expressamos nossas mais sinceras condolências à Profa. Isorlanda – militante histórica da AGB Fortaleza - sua família, amigas/os e queridas/os. Desejamos força e conforto", publicou a associação. 

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) – Subsecção Sertão Central também postou uma nota em respeito à memória da jovem: "A Ordem dos Advogados do Brasil – Subsecção Sertão Central, junto da Comissão de Direito Ambiental da Subsecção, manifesta profundo pesar pelo falecimento de Isabele Caracristi, filha da Profª. Isorlanda Caracristi, que nos agraciou com sua Palestra Magna no I Fórum de Direito Ambiental do Sertão Central", escreveram.

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