Tiroteio em procissão: trio acusado de matar homem que se negou a rasgar camisa de facção vai a júri

Uma mulher que participava de uma procissão religiosa próximo ao local do crime também foi atingida pelos disparos.

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
18 de Setembro de 2026 - 06:00
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Legenda: A execução aconteceu em meio a uma guerra territorial entre Massa/TDN e GDE.
Foto: Reprodução.

O Tribunal Popular do Júri foi convocado para definir o futuro de três integrantes da organização criminosa Massa Carcerária (ou Tudo Neutro/TDN), acusados de matar um ex-colega da extinta Guardiões do Estado (GDE) que se recusou a "rasgar a camisa" da facção. Eles também responderão por ferir e quase matar uma mulher que não tinha nada a ver com a disputa.

A pronúncia do trio, ou seja, o indicativo de que o processo será analisado pelo júri, foi publicada no Diário Eletrônico de Justiça nessa segunda-feira (14). Conforme o despacho, sentarão no banco dos réus Wesley Santos da Silva, conhecido como 'Playboy'; Ademir Evangelista dos Santos, o 'Chucky', e Mateus Gomes dos Santos, o 'Coringa'.

As vítimas foram Davi dos Santos Oliveira, o 'Cotoco', e Marilde Sousa do Vale Oliveira. O crime aconteceu no bairro Vicente Pinzón, em Fortaleza, em meio a uma procissão religiosa.

A reportagem não localizou a defesa dos réus para repercutir a pronúncia. O espaço segue aberto para futuras manifestações.

Vítima se negou a migrar de facção

Conforme a sentença de pronúncia, tanto Davi como os acusados eram, inicialmente, vinculados à GDE. No entanto, o grupo se separou quando os três envolvidos na execução migraram para a Massa Carcerária, que disputava o controle da região do Vicente Pinzón com a facção já extinta.

Na noite de sua morte, em 1º de outubro de 2024, os ex-colegas tentaram convencer Davi a, também, "rasgar a camisa" da GDE, mas ele se negou a trair a organização.

Diante da recusa, os ex-aliados decidiram, então, executá-lo, e iniciaram uma perseguição em meio a uma procissão religiosa que ocorria nas proximidades em razão dos festejos da padroeira da Paróquia de Santa Teresinha do Menino Jesus, assumindo o risco de atingir e matar outras pessoas.

Mulher que acompanhava procissão foi baleada

Marilde Sousa, que nada tinha a ver com a disputa entre Massa e GDE, foi atingida por disparos de arma de fogo enquanto aguardava a passagem da procissão para poder ir à igreja. Ela estava dentro de um veículo, acompanhada de familiares, quando foi baleada. A vítima foi socorrida para o Instituto Dr. José Frota, no Centro da Capital e sobreviveu.

Já Davi foi alcançado pelos ex-colegas e morto com um tiro na cabeça. O laudo cadavérico, contudo, aponta que a vítima sofreu ainda diversas outras lesões.

Um policial militar que estava na casa da mãe, nas imediações do local do crime, relatou que ouviu os tiros e viu pessoas se abrigando no local. Ele contou ainda que chegou a disparar contra um dos suspeitos e afirmou ter visto um dos réus (que não foi pronunciado neste processo) disparando contra a cabeça de Davi.

Prisões

Wesley e Mateus foram presos no dia 21 de fevereiro do ano passado, enquanto Ademir Evangelista foi capturado cerca de um mês depois. A fase de instrução processual começou em dezembro daquele mesmo ano, quando foram produzidas as provas em juízo. 

"Após a instrução, a materialidade do delito restou devidamente comprovada, assim como satisfatoriamente presentes indícios suficientes de autoria com relação aos acusados, justificando a submissão de Wesley Santos da Silva, Ademir Evangelista dos Santos e Mateus Gomes dos Santos a julgamento em plenário do Júri", considerou o colegiado da 2ª Vara do Júri.

Os crimes terão ainda as qualificadoras de motivo torpe, devido à rivalidade das facções envolvidas, e uso de recurso que dificultou ou impossibilitou a defesa da vítima.

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