Vídeo: como a Perícia Forense pode atuar em cenas de crime e ser a 'última voz' de vítimas

Casos como o da estudante Isabelle Caracristi, que caiu do 23º andar do condomínio do namorado no dia 13 de setembro demandam uma perícia detalhada e diligente.

Escrito por Matheus Facundo matheus.facundo@svm.com.br
23 de Setembro de 2026 - 18:03 (Atualizado às 19:02)

A Perícia Forense já conseguiu responder parte do que aconteceu com Isabelle Caracristi: a estudante morreu em decorrência de politraumatismos compatíveis com o impacto contra o solo, após uma queda do 23º andar do condomínio do namorado. O perito-geral Júlio Torres afirmou que a perícia apontou que a estudante se jogou do terraço do edifício, e que uma câmera registrou o deslocamento do corpo, o que ele chamou de "precipitação voluntária". 

Entretanto, ainda há uma série de questionamentos para desvendar os momentos que levaram à queda. Em dez dias, 11 laudos periciais já foram produzidos sobre o caso.

Uma das linhas investigativas é sobre o crime de induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio e está previsto no artigo 122 do Código Penal, além de violência psicológica, por parte do namorado de Isabelle

No que diz respeito ao trabalho pericial, a causa da morte e a dinâmica são etapas diferentes da investigação.

Para ajudar a compreender os aspectos que costumam ser analisados em investigações desse tipo,  nossa reportagem conversou com peritos forenses que não participaram diretamente da apuração do caso

A partir da experiência profissional desses especialistas, vamos entender quais procedimentos são realizados durante uma perícia, que elementos costumam ser analisados e quais informações podem ajudar a esclarecer o que aconteceu.

As explicações são gerais, apenas do ofício de peritos, e não representam uma análise pericial do caso Isabelle Caracristi. 

Diário do Nordeste entrevistou o presidente do Sindiperitos CE, Rômulo Lima, e a vice-presidente, Mayane Melo. (Confira a entrevista completa acima)

Frente a cenários complexos, como quedas de altura ou aparentes suicídios, a perícia tem de ser diligente O foco central deve permanecer estritamente na prova material capaz de reconstituir a dinâmica do evento, revelando se houve luta corporal, queda acidental ou ação voluntária.

Melo resume: A Perícia Forense é a "última voz" das vítimas, pois o corpo é uma testemunha que conta sua história, apesar não contar necessariamente "toda a história".

"A gente fala muito na perícia assim: o papel do perito é a última voz daquela vítima. Porque é a possibilidade que tem de dar voz àquela pessoa que, infelizmente, não está mais aqui para contar os fatos", diz a perita. 

Sindicato emite nota em defesa da perícia criminal 

Em nota divulgada nesta quarta-feira (23), o Sindicato dos Peritos Criminais do Estado do Ceará (Sindiperitos-CE) saiu em defesa da atuação da Pefoce diante da repercussão do caso Isabelle Caracristi, e da circulação de informações e especulações nas redes sociais sobre o trabalho dos peritos.

"A perícia criminal não trabalha com especulação. Trabalha com ciência, vestígios e evidências", pontuou o presidente do Sindiperitos-CE, Rômulo Lima.

A entidade afirmou que os profissionais da perícia criminal têm o compromisso de buscar a verdade dos fatos por meio da análise científica dos vestígios encontrados, sem se orientar por versões apresentadas por investigados, familiares ou órgãos envolvidos no caso.

Segundo o sindicato, a função dos peritos é registrar tecnicamente o que os exames permitem constatar e apontar, de forma fundamentada, os elementos que ainda dependem de análises complementares.

No posicionamento, o Sindiperitos-CE ressaltou que a atividade pericial possui autonomia e independência técnico-científica, destacando que os profissionais não atuam para confirmar hipóteses ou conclusões previamente estabelecidas. A nota enfatiza que a produção da prova técnica é baseada exclusivamente nos vestígios analisados, servindo de subsídio para que as demais autoridades do sistema de Justiça formem suas convicções sobre os fatos investigados

Leia nota do Sindiperitos na íntegra: 

NOTA PÚBLICA – EM DEFESA DA PERÍCIA CRIMINAL E DO TRABALHO TÉCNICO-CIENTÍFICO DOS PERITOS

Diante da grande repercussão do caso Isabelle Caracristi e da circulação de informações, interpretações e especulações nas redes sociais envolvendo o trabalho da Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce), o Sindicato dos Peritos Criminais do Estado do Ceará (Sindiperitos-CE) vem a público manifestar seu respeito à sociedade, à família da jovem e, sobretudo, defender a atuação técnica, independente e responsável dos profissionais da perícia criminal.

Os peritos criminais têm como compromisso buscar a verdade dos fatos por meio da ciência e dos vestígios, independentemente de versões ou interesses externos. O trabalho do perito não é orientado por expectativas, conveniências ou conclusões previamente estabelecidas. Ao contrário: cabe ao profissional analisar tecnicamente os elementos encontrados, registrar aquilo que os exames permitem afirmar e apontar, de forma fundamentada, aquilo que será analisado.

É importante destacar que a atividade pericial possui autonomia e independência técnico-científica. O perito criminal não atua para confirmar a versão de uma investigação, ou de qualquer uma das partes. Sua função é produzir prova técnica a partir dos vestígios examinados, contribuindo para que os demais integrantes do sistema de Justiça possam formar suas próprias convicções.

Por isso, o Sindiperitos-CE repudia ataques direcionados aos profissionais da perícia, especialmente aqueles baseados em informações incompletas, interpretações sem fundamento técnico ou na expectativa de que um exame científico produza, em poucos dias, respostas que dependem de procedimentos laboratoriais e análises complexas.

A sociedade tem todo o direito de cobrar esclarecimentos sobre um caso de tamanha repercussão. Da mesma forma, os familiares da jovem merecem respeito, acolhimento e transparência dentro dos limites legais da investigação.

O Sindiperitos-CE reafirma, portanto, sua confiança na atuação dos peritos criminais cearenses, profissionais concursados, especializados e submetidos a rigorosos procedimentos técnicos. 

A perícia criminal não trabalha com especulação. Trabalha com ciência, vestígios e evidências.

Rômulo Lima
Presidente do Sindiperitos-CE

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