Poucas horas após a morte da estudante universitária Isabelle Caracristi, 22, as medidas tomadas pela família proprietária do apartamento onde ela morava junto ao namorado, em Fortaleza, geraram certa desconfiança das autoridades.
A editoria de Segurança do Diário do Nordeste apurou junto a depoimentos colhidos pela Polícia Civil do Ceará (PCCE) que no dia seguinte uma diarista foi chamada à residência para limpar o apartamento. A Polícia apura suposta tentativa de ocultação de elementos probatórios.
Já no dia 15 de setembro, dois dias após a morte da jovem, há informação de que o irmão de João Munhoz Neto foi ao edifício na companhia de um corretor de imóveis para colocar o apartamento à venda. Uma placa de: 'vende-se' foi instalada.
Diante dos indícios, a Polícia passou a investigar a possibilidade de "supressão, ocultação ou destruição de provas, especialmente em razão da notícia de desocupação do imóvel, retirada dos objetos e da dificuldade a localização dos investigados".
Como já dito anteriormente em primeira mão pela reportagem, João Munhoz não estava no prédio quando ocorreu a morte de Isabelle, após ela cair do 23º andar, onde está localizado o terraço do edifício. A informação é que ele saiu do edifício cerca de duas horas antes, dizendo que iria à missa. Os demais parentes dele também não estavam no local.
A reportagem entrou em contato com a defesa de João, que disse que ele prestou depoimento no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) na noite dessa segunda-feira (21) e entregou o celular aos investigadores.
ORDEM PARA NÃO ENTRAR
A reportagem apurou que João Munhoz Neto deu ordem ao administrador do condomínio para que se a família de Isabelle fosse ao prédio, não os deixassem entrar.
Ainda no dia da morte da estudante de Direito, quando João retornou ao prédio, segundo um colaborador, ele pediu que o zelador o ajudasse a encontrar o celular da namorada. Lixeiras das áreas em comum foram reviradas.
João ainda teria falado mal da namorada para o zelador, dizendo a ele que ela o devia dinheiro.
Horas após a morte, João também foi visto saindo com malas do apartamento.
Com o andamento da investigação, veio a preocupação por parte dos investigadores de uma possível fraude processual.
Ainda conforme informações obtidas pela reportagem, o Ministério Público do Ceará (MPCE) pediu autorização à Justiça para que policiais arrombassem o apartamento, o que não chegou a acontecer.
RELACIONAMENTO CONTURBADO ENTRE ISABELLE E JOÃO
O casal se relacionava há poucos meses. João não tinha inscrição na Ordem dos Advogados Do Brasil (OAB) e saiu do escritório onde atuava há cerca de um mês, por supostamente "querer montar um escritório semelhante". Isabelle também teria saído do emprego na mesma época.
Até então, ele e Isabelle atuavam no mesmo escritório, tendo a universitária entrado no local após concorrer a uma vaga para estágio.
A mãe do João é servidora da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), exercendo cargo de confiança, mas sob afastamento desde o último mês de agosto, por motivos de saúde.
O relacionamento conturbado entre a estudante universitária Isabelle Caracristi e o bacharel em Direito João Munhoz Neto era frequentemente tema de conversa entre a jovem de 22 anos e um parente dela. Uma hora antes de ser encontrada morta em um edifício na Aldeota, em Fortaleza, Isabelle fez novas revelações ao familiar.
'Não apague este áudio, me responde', pediu ela ao parente por volta das 19h40 do dia 13 de setembro de 2026. Às 20h40 o impacto ao solo da vítima foi registrado. Nas conversas pelo WhatsApp, Isabelle disse "que qualquer coisa que venha a acontecer com ela, este áudio é uma prova. João Munhoz é um doente, não acredite nele".
O celular da vítima foi entregue à Polícia Civil do Ceará (PCCE) e deve ser periciado. Os áudios e as mensagens também já estão em posse dos investigadores.
LIGAÇÕES TELEFÔNICAS
O inquérito para apurar a morte da estudante foi instaurado no dia 16 de setembro de 2026. Nos áudios enviados pela vítima no dia da morte ela relatou "ameaças atribuídas ao companheiro e pedia que a mensagem fosse preservada como prova".
Os áudios da vítima atribuíam a João Munhoz Neto a responsabilidade por eventual mal que lhe sobreviesse, "os relatos convergem com ciúmes, controle e ameaça".
Isabelle disse que João era muito ciumento e que inclusive limitava a liberdade dela, porque várias vezes ela queria visitar os parentes, mas não conseguia.
Em um dos desabafos com o parente, tido como um dos melhores amigos dela, o familiar questionou o porquê de ela não terminar o relacionamento, tendo Isabelle dito que "depois desse, não quero ninguém. Quero ficar sozinha. Não suporto mais o João".
A reportagem também apurou que semanas antes da morte, os familiares estavam em ligação, quando o parente ouviu ao fundo a voz de João dizendo: "desliga esse telefone, estou mandando". E na sequência Isabelle respondido: "não vou desligar, você não manda em mim".