Isabelle era monitorada pelo namorado e 'não tinha direito de ir ao banheiro', diz advogada

Segundo advogada da família da estudante, há provas de que Isabelle vivia relacionamento abusivo.

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
20 de Setembro de 2026 - 18:49 (Atualizado às 19:45)
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Legenda: Isabelle tinha 22 anos e era estudante de Direito.
Foto: Reprodução/Redes sociais.

Uma semana após a morte da estudante de direito Isabelle Caracristi, de 22 anos, encontrada morta em um edifício residencial no bairro Aldeota, em Fortaleza, na noite do último domingo (13), ainda há muitas perguntas sem respostas sobre o caso, que segue sob investigação. Em entrevista ao Diário do Nordeste, uma das advogadas de defesa da família da jovem afirmou que já há provas, no entanto, que confirmam que Isabelle vivia em um relacionamento abusivo.

"O que a família tem é que o namoro era um namoro considerado abusivo", afirma a advogada Patrícia Viana, após ser questionada sobre as atualizações do caso.

"E por que que a gente tá informando que o namoro era considerado um namoro abusivo? Porque a família tá recebendo muitas ligações, muitos áudios, e todo esse material a gente está repassando pra polícia, pro delegado titular, para que ele verifique a veracidade desses áudios e dessas informações", completa.

Segundo a advogada, as novas provas indicam que Isabelle vivia uma rotina sob constante monitoramento do namorado. O material aponta que a jovem "era uma menina muito nova, muito cheia de vida, muito alegre e que, a partir do momento em que ela passou a manter esse relacionamento com ele e morar na residência dele com a família, ela passou a mudar o comportamento, inclusive com amigas", explica Patrícia.

De acordo com a defesa, um dos áudios contém material "bastante revelador" em que uma testemunha afirma que Isabelle "não tinha praticamente direito de ir ao banheiro" e "que ela não poderia almoçar". Também há provas, segundo Viana, que sugerem que havia um rastreador no celular de Isabelle, que também teria um localizador do namorado em seu telefone.

"Então, a gente faz um paralelo: por que que era um namoro abusivo, por que que ela parou de manter contato com as amigas, principalmente mais próximas, amigas de trabalho, por que que um mantinha no celular do outro um localizador, um rastreador e a família também não tinha, não sabia dessa informação ainda?", questiona a advogada.

Patrícia Viana destaca que a defesa ainda "não pode afirmar que ele [o namorado de Isabelle] realmente foi a pessoa que fez com que ela cometesse um suicídio ou que tenha sido, na, verdade um homicídio", mas que o fato de a jovem ter vivido um relacionamento abusivo e a família de seu namorado ter desaparecido após sua morte causa "muita estranheza".

"Se ela morava com a família, com a mãe e o irmão, por que que a família não ligou imediatamente para a família [Caracristi], para informar, para dar o pesar? Então, isso a gente não tem a resposta ainda", conclui a advogada.

Quais os próximos passos?

Segundo Patrícia Viana, até a tarde deste domingo (20), a defesa não tinha informações sobre o paradeiro do namorado de Isabelle e da mãe e do irmão dele. Os três moravam no apartamento onde Isabelle estava antes de ser encontrada morta, mas não se sabe se estavam no edifício no momento do ocorrido.

No entanto, imagens de câmeras de segurança obtidas com exclusividade pela editoria de Segurança do Diário do Nordeste mostram que o namorado da estudante e a mãe dele não estavam no prédio quando a universitária morreu.

De acordo com a advogada, a defesa ainda não teve acesso às imagens, mas deve conseguir acesso ao inquérito a partir desta segunda-feira (21). Ela afirma que o namorado de Isabelle ainda não tem advogado e não tentou entrar em contato com a família dela.

No momento, perícias e exames complementares estão sendo feitos para identificar a causa da morte da jovem. A expectativa é que o inquérito seja concluído em até 90 dias.

"A gente não está querendo incriminar ninguém que não seja realmente um culpado, mas se existir um culpado nessa história, a gente vai até o final para que essa pessoa responda pelos seus atos", destacou a advogada Patrícia Viana.

O que diz Isorlanda Caracristi, mãe da estudante

A mãe de Isabelle Caracristi afirmou que o relacionamento era abusivo e que o homem era "extremamente controlador, fora do normal e obsessivo". Em vídeo de desabafo nas redes sociais, a professora Isorlanda Caracristi comentou que alertou a filha sobre a relação. 

Isorlanda chegou a classificar o comportamento do então genro como "muito louco". Ela relembrou uma consulta ginecológica à qual Isabelle foi acompanhada da mãe e do namorado, e contou que ele tentou tomar a frente e entrar na sala com a jovem

"Quando eu vou entrar com a minha filha na sala, ele aparece já querendo entrar na minha frente. Gente, o que é isso? A médica também estranhou, tanto que perguntou: 'É o marido dela?' Eu disse: 'Não. Ele é só um recém-namorado'. Ali já acendeu todos os meus alertas como mãe. Um comportamento muito louco", disse no vídeo.

Isabelle passava muitos dias dormindo na casa do namorado, que também era um dos chefes dela no estágio. Segundo Isorlanda, o homem era 10 anos mais velho, dizia ser um dos sócios da empresa e afirmava ter ficado ‘encantado’ com ela.

Quem era Isabelle Caracristi?

O Diário do Nordeste conversou com o irmão da universitária, Rafael Magalhães, que falou sobre os "sonhos interrompidos e a tragédia que a família vive agora".

"Desde muito pequena ela sempre quis ser advogada, defensora dos direitos, ela brigava pelos direitos, pelas suas questões. Ela queria ser advogada criminalista, uma juíza, queria defender os direitos de crianças e mulheres", contou Rafael.

A Isabelle, minha irmã, sempre teve muitos sonhos, somos de uma família batalhadora, filhos de professora, filhos de quem sempre lutou".
Rafael Magalhães.

O irmão lembra da jovem como uma menina alegre e que cuidava da mãe e da avó: "ela gostava de estar presente, de estar junta".

"Todo mês a Isabelle ia pintar o cabelo da minha avó e agora ela pergunta: 'quem vai pintar meu cabelo?'. Ela era comunicadora, divertida, não tinha tempo ruim para a minha irmã".

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