Caso Isabelle Caracristi: o que se sabe e o que falta saber sobre morte de universitária

Imagens apontam que namorado e a mãe dele não estavam no prédio quando a estudante morreu.

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
20 de Setembro de 2026 - 15:50
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Legenda: O namorado da jovem não está na condição de suspeito, conforme a Polícia.
Foto: Reprodução/Redes Sociais e Arquivo DN.

Por volta das 20h40 do dia 13 de setembro de 2026, um barulho similar a um 'impacto' de algo que cai sob o chão era ouvido em um edifício residencial no bairro Aldeota, em Fortaleza.

"Pensei logo que era uma batida de carro, mas não era. Me levantei, fui ver, um silêncio total. Fiquei pensando: 'meu Deus, o que foi esse barulho? Só de madrugada eu vi um rabecão lá dentro", relata uma moradora de um prédio vizinho ao Residencial La Piazza, onde a estudante de Direito Isabelle Caracristi, de 22 anos, foi encontrada morta naquele dia.

Uma semana após a morte da universitária e depois do caso tomar repercussão nacional com o relato da mãe da jovem, a professora Isorlanda Caracristi,  família e amigos seguem em busca de respostas sobre o que aconteceu naquela noite.

IMAGENS OBTIDAS PELA EDITORIA DE SEGURANÇA DO DIÁRIO DO NORDESTE

Imagens de câmeras de segurança obtidas com exclusividade pela editoria de Segurança do Diário do Nordeste mostram que o namorado da estudante Isabelle Caracristi, de 22 anos, e a mãe dele não estavam no prédio quando a universitária morreu.

 A Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) informa que nela foram encontradas “lesões no corpo compatíveis com o impacto contra o solo”, o que indica uma provável queda.

As câmeras dos espaços compartilhados do edifício residencial mostram que, às 18h32, o namorado da estudante vai até a portaria do prédio. A reportagem apurou que, logo em seguida, o namorado e a mãe dele saem em um carro.

Isabelle continua no prédio e, às 19h12, é vista dentro do elevador, sozinha, com o celular na mão, a caminho do rooftop, no 23º andar.

Às 20h40, é registrada a queda e o impacto do corpo de Isabelle contra o solo

Cerca de duas horas depois da queda, às 22h48, o namorado retorna ao prédio.

O namorado da vítima sai do prédio antes das 19h.
Legenda: O namorado da vítima sai do prédio antes das 19h.
Foto: Arquivo.

Horário do retorno do namorado ao edifício.
Legenda: Horário do retorno do namorado ao edifício.
Foto: Arquivo.

A reportagem também apurou que não havia sinais de luta corporal dentro do apartamento.

A Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) anunciou que pretende ouvir oito pessoas. Destas, quatro já tiveram depoimentos colhidos, enquanto as demais têm oitivas agendadas.

Além disso, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS-CE) informou, em nota, que imagens de câmeras estão em análise. 

Exames laboratoriais realizados tiveram resultado negativo para substâncias de interesse toxicológico. Exames periciais complementares estão sendo realizados pela Pefoce.

A SSPDS disse ainda que a PCCE e a Pefoce têm empreendido esforços para elucidar o caso. Somente após a finalização dos trabalhos, será possível concluir a dinâmica da morte.

O namorado de Isabelle e a família dele não se pronunciaram sobre o caso. 

O QUE DIZ ISORLANDA CARACRISTI, MÃE DA ESTUDANTE DE DIREITO

A mãe de Isabelle Caracristi afirmou que o relacionamento era abusivo e que o homem era "extremamente controlador, fora do normal e obsessivo". Em vídeo de desabafo nas redes sociais, a professora Isorlanda Caracristi comentou que alertou a filha sobre a relação. 

Isorlanda chegou a classificar o comportamento do então genro como "muito louco". Ela relembrou uma consulta ginecológica à qual Isabelle foi acompanhada da mãe e do namorado, e contou que ele tentou tomar a frente e entrar na sala com a jovem. 

"Quando eu vou entrar com a minha filha na sala, ele aparece já querendo entrar na minha frente. Gente, o que é isso? A médica também estranhou, tanto que perguntou: 'É o marido dela?' Eu disse: 'Não. Ele é só um recém-namorado'. Ali já acendeu todos os meus alertas como mãe. Um comportamento muito louco", disse no vídeo.

Isabelle passava muitos dias dormindo na casa do namorado, que também era um dos chefes dela no estágio. Segundo Isorlanda, o homem era 10 anos mais velho, dizia ser um dos sócios da empresa e afirmava ter ficado ‘encantado’ com ela.

QUEM ERA ISABELLE CARACRISTI

O Diário do Nordeste conversou com o irmão da universitária, Rafael Magalhães, que falou sobre os "sonhos interrompidos e a tragédia que a família vive agora".

"Desde muito pequena ela sempre quis ser advogada, defensora dos direitos, ela brigava pelos direitos, pelas suas questões. Ela queria ser advogada criminalista, uma juíza, queria defender os direitos de crianças e mulheres", contou Rafael.

A Isabelle, minha irmã, sempre teve muitos sonhos, somos de uma família batalhadora, filhos de professora, filhos de quem sempre lutou".
Rafael Magalhães.

O irmão lembra da jovem como uma menina alegre e que cuidava da mãe e da avó: "ela gostava de estar presente, de estar junta".

"Todo mês a Isabelle ia pintar o cabelo da minha avó e agora ela pergunta: 'quem vai pintar meu cabelo?'. Ela era comunicadora, divertida, não tinha tempo ruim para a minha irmã".

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