A mãe de Isabelle Caracristi, estudante de 22 anos encontrada morta no pátio do condomínio do namorado no bairro Aldeota, em Fortaleza, afirmou que o relacionamento era abusivo e que o homem era "extremamente controlador, fora do normal e obsessivo". Em vídeo de desabafo nas redes sociais, a professora Isorlanda Caracristi comentou que alertou a filha sobre a relação.
Isorlanda chegou a classificar o comportamento do então genro como "muito louco". Ela relembrou uma consulta ginecológica à qual Isabelle foi acompanhada da mãe e do namorado, e contou que ele tentou tomar a frente e entrar na sala com a jovem.
"Quando eu vou entrar com a minha filha na sala, ele aparece já querendo entrar na minha frente. Gente, o que é isso? A médica também estranhou, tanto que perguntou: 'É o marido dela?' Eu disse: 'Não. Ele é só um recém-namorado'. Ali já acendeu todos os meus alertas como mãe. Um comportamento muito louco", disse no vídeo.
Isabelle passava muitos dias dormindo na casa do namorado, que também era um dos chefes dela no estágio. Segundo Isorlanda, o homem era 10 anos mais velho, dizia ser um dos sócios da empresa e afirmava ter ficado ‘encantado’ com ela.
Ele também teria "articulado" internamente para que a jovem fosse trabalhar no mesmo setor que o dele, apesar de inicialmente não responder a ele como gestor. Cerca de dez dias depois, segundo a mãe, os dois iniciaram um relacionamento.
Ela disse que o rapaz estava muito, muito próximo dela. Que não desgrudava dela e eu alertei: 'Minha filha, ele é seu chefe, ele é mais velho, certo? Você é uma menina jovem e bonita, toma cuidado'. Porque nessa relaçãozinha de que está gostando muito do trabalho da pessoa e começa a dar muita atenção, isso aí uma menina jovem nem percebe que isso é assédio
Um dos momentos que mais preocupou a professora foi quando a filha falou que o namorado havia pedido um cartão de crédito para ela.
"Ela veio me falar uma coisa estranhíssima: que ele tinha pedido para usar o cartão dela e queria botar uma empresa no nome dela. Gente, eu enlouqueci. Eu enlouqueci e briguei. Não quis mais deixar que ela voltasse, mas ela estava simplesmente apaixonada, muito apaixonada, a cabeça totalmente feita", comentou.
Morte suspeita em condomínio
A morte da jovem foi descoberta pela família após a mãe não receber notícias entre domingo (13) e segunda-feira (14). Isorlanda foi até o condomínio e foi informada pela administração de que a filha havia sido encontrada morta.
O namorado de Isabelle e a mãe dele, que moravam no apartamento, não foram encontrados e não respondem às tentativas de contato da família da vítima, e também não apareceram no velório e no sepultamento, realizados na última terça-feira (15).
A família não tem respostas sobre o falecimento, e pede justiça. O caso ainda é investigado pela Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE), por meio do 2º Distrito Policial.
O laudo da Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) pode demorar até 30 dias para sair, e deverá determinar as circunstâncias da morte da estudante de direito.
OAB pede apuração rigorosa
A Ordem dos Advogados do Brasil - Secção Ceará (OAB-CE) divulgou nota pública de solidariedade pela morte de Isabelle neste sábado.
Na nota, a entidade expressa apoio aos familiares, amigos e à comunidade acadêmica diante da morte da jovem e defende uma investigação minuciosa do caso.
"Considerando a gravidade do ocorrido, em circunstâncias que ainda demandam o devido esclarecimento por parte das autoridades competentes, a OAB-CE solicita que a apuração seja conduzida com celeridade, rigor técnico, diligência e perspectiva de gênero", diz o texto.
A instituição também ressalta a necessidade de que todas as circunstâncias relacionadas ao caso sejam analisadas de forma detalhada. Segundo a nota, "é imprescindível que sejam examinadas, de forma integral e tecnicamente fundamentada, as circunstâncias antecedentes, concomitantes e posteriores ao ocorrido, sem antecipação de juízos ou conclusões e com plena preservação dos elementos probatórios".