Um rebaixamento anunciado

Leia a Coluna desta quinta-feira (20)

Escrito por
Tom Barros tom.barros@svm.com.br
Legenda: O Ceará voltou ao Z4 após a 23ª rodada da Série B
Foto: THIAGO GADELHA / SVM

Não quero acreditar no que estou vendo. Custa-me aceitar a realidade. Os sinais são evidentes. Dizem que o pior cego é aquele que não quer ver. Pois todos estão de olhos arregalados, contemplando a perigosa viagem do Ceará rumo à Série C. A meu juízo, ainda há tempo para evitar o pior. 

Por falta de um grito, se perde uma boiada. O grito aqui não é no sentido da arrogância. Não é o grito ditatorial que amedronta e prejudica. É o grito sinônimo de alerta, em busca de um novo despertar. Nada de ficar chorando derrotas consecutivas. É erguer a força da reação definitiva. 

Como reagir, se o time é limitado? Amigos, nestes meus sessenta anos de profissão, vi times limitados superarem suas limitações pela força, pela coragem, pela doação, pelo compromisso, pelo brio, pela dignidade, pela dedicação, pelo respeito, pela história.

Este rebaixamento anunciado não pode continuar. Está faltando ao Ceará uma liderança dentro e fora de campo. Está faltando um guerreiro, que dê ao time a alma que está faltando.  

 

Quem será? 

 

Que tipo de guerreiro o Vozão está precisando? Lembrei agora de Alexandre Nepomuceno, zagueiro de extraordinária liderança. Foi capitão do time no bicampeonato cearense de 1957 e 1958. Capitão da Seleção Cearense, terceira colocada no Campeonato Brasileiro de seleções de 1962. 

 

Comparação 

 

Alexandre tinha tanta liderança que, guardadas as devidas proporções, foi comparado ao grande capitão da Seleção Brasileira, campeã do Mundo de 1958, Hideraldo Luiz Bellini. Alexandre levava à luta seus companheiros, máxime diante das grandes adversidades. 

 

Comando 

É nas grandes crises que surgem as maiores lideranças. Nos tempos de aflição os verdadeiros líderes se impõem. Inesquecível a frase de Wiston Churchiil, primeiro-ministro do Reino Unido, na Segunda Guerra mundial: “Não tenho nada para oferecer, a não ser sangue, trabalho, suor e lágrimas”. Assim levantou o país. Ganhou a guerra. 

 

Mudança  

 

O elenco do Ceará tem de oferecer empenho redobrado. Não pode continuar como uma equipe aparvalhada, máxime quando está inferiorizado no placar. Quando toma um gol, exceto na virada sobre o São Bernardo, parece desmoronar numa prostração que dá pena. 

 

Conclusão 

 

O rebaixamento está anunciado. Não está concretizado. Faltam 15 rodadas. São 45 pontos disponíveis. Há quem já tenha jogado a toalha. Mas só os fracos aceitam por antecipação desclassificações iminentes. Os bravos acreditam, mesmo quando tudo lhes parece aniquilado. Pelo que sei, a covardia não faz parte da história do Vozão. 

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