Um jogo para ser campeão
Leia a coluna de Tom Barros
A Seleção Brasileira pode até ficar pelo caminho. Pode até voltar para casa mais cedo. Isso faz parte das coisas da Copa do Mundo. Mas, após a reação diante dos japoneses, com aquele gol de Martinelli já aos 50 minutos do segundo tempo, provado está que há algo superior no grupo de Ancelotti.
A força mental da equipe também ficou comprovada. Não tremeu, quando tudo lhe parecia desfavorável. Provou ter personalidade, maturidade, confiança. São qualidades próprias de quem se estabelece como forte candidato ao título. O Brasil fez um jogo para ser campeão.
É claro que a caminhada ainda é longa. Há outras seleções qualificadas e igualmente fortes candidatas ao título. Não estou afirmando que o Brasil será campeão. Estou afirmando que ele fez um jogo para ser campeão. São coisas parecidas, mas diferentes.
Hoje, diferente do que vi nos jogos preparatórios, antes da Copa, há uma Seleção Brasileira crescendo no transcorrer da competição. Tem tudo para alcançar o ápice justamente na reta final, ou seja, quando se define a competição.
Liderança
Casemiro tem sido muito criticado. Suas atuações estão comprometendo a marcação. Então, por que Ancelotti teima em mantê-lo em campo? A resposta foi dada pelo próprio Casemiro. De repente, surgiu como homem-surpresa em duas oportunidades. Na primeira, o zagueiro tirou em cima da linha. Na segunda, marcou o gol.
Mudanças
Os ajustes acontecem de acordo com as circunstâncias da Copa. Em 1958, quando o Brasil conquistou o seu primeiro título mundial, Garrincha e Pelé ficaram fora dos dois primeiros jogos (Áustria e Inglaterra). A necessidade de uma melhor produção fez o técnico Feola escalá-los no terceiro jogo. O Brasil ganhou da União Soviética (2 x 0).
Estalo
Com a entrada de Garrincha e Pelé, o Brasil assombrou o mundo pela notável exibição e vitória (2 x 0) diante da União Soviética. Foi a vitória para ser campeão. E foi. O estalo aconteceu ali. Agora, guardadas as devidas proporções, o Brasil parece ter encontrado a produção ideal no segundo tempo diante do Japão. A conferir no próximo jogo.
Ressalva
É claro que a Canarinho de hoje não tem um Garrincha ou um Pelé, dois gênios incomparáveis. Dei apenas um exemplo de mudança. Mas, mesmo sem gênios no elenco, há mudanças que consolidam e levam um time a grandes vitórias. Queira Deus que assim seja com o time comandado por Ancelotti.
Conclusão
Há pontos vulneráveis na defesa e no meio-campo da Seleção Brasileira. Pontos que melhoraram muito no segundo tempo da vitória sobre o Japão. Quero acreditar que a tendência agora é encontrar a formação ideal. Se assim for, viável será a concretização do sonho do hexa.