Tabu e rivalidade centenária no Clássico-Rei

Leia a Coluna deste sábado (16)

Escrito por
Tom Barros tom.barros@svm.com.br
Legenda: Fortaleza e Ceará entram em campo neste domingo pela Série B do Brasileiro
Foto: KID JUNIOR / SVM

Mais um clássico-rei. Tem tabu. Tem medo. Tem apreensão. Situações bem definidas. O Fortaleza na zona que leva ao playoff da Série B. O Ceará próximo à zona maldita. O clássico ganha contornos especiais. Mas, na hora que a bola rola, vale o que está posto ali, no momento.  

Gostaria de um clássico-rei em circunstâncias bem diferentes. Um clássico com os dois na cabeça, no topo. Mas nem sempre é assim. Então seja como está. Independentemente das posições, é a rivalidade em campo. Rivalidade de mais de cem anos. 

Cada jogo, uma história. Um episódio especial para contar. Artilheiro se consagra nos clássicos. Quem se notabiliza nos clássicos entra para a galeria dos imortais. Ganha fardão de academia. As cadeiras mais notáveis são as de número dez, nove e sete. Gildo, Croinha, Clodoaldo, Sérgio Alves... 

Não há favorito. Pouco importa quem está melhor. Zebra não entra em campo nos clássicos. As surpresas entram, sim. Às vezes, uma goleada, mas isso é exceção. Que haja um belo espetáculo. E paz entre as torcidas.    

 

Desfalques 

 

No clássico-rei de amanhã, haverá desfalques importantes nas duas equipes. No Ceará: Richard, Ronald, Zanocelo, Lucca e Wendel Silva. No Fortaleza: o técnico Carpini, Brítez, Pierre e Ryan. Cito apenas os principais. Até nas ausências, há um certo equilíbrio. Faz parte. 

 

Improvável 

 

Ao longo dos anos, aprendi que, não raro, torna-se destaque no clássico uma figura improvável, que havia entrado apenas como coadjuvante. Um substituto, que se livra da sombra do titular, e faz mais bonito. Não sei quem poderá ser um protagonista assim, amanhã. É imprevisível. 

 

Há muitos anos 

 

Há décadas, quando o saudoso Dimas Filgueiras era treinador do Ceará, ele escondeu a escalação alvinegra antes de um clássico-rei. Segurou o quando foi possível. Quando divulgou, surgiu o nome Luciano. Um desconhecido. Surpresa total. Luciano foi o melhor do clássico. Tomou conta da marcação e anulou as investidas do adversário. 

 

Destino 

 

Não sei depois qual foi o destino do Luciano. Sei que nunca mais repetiu a notável atuação que fez naquela ocasião. São coisas que acontecem esporadicamente. E somente acontecem em clássicos. Amanhã, em uma das equipes ou nas duas, quem sabe se não surgirá algum “Luciano” capaz de mudar a história? 

 

Em tempo 

 

Não é um clássico-rei decisivo. É um jogo de meio de campeonato. Mas, mesmo assim, embora não vá ser disputado em uma ocasião ideal, tem suas peculiaridades. Tem tabu, tem medo, tem apreensão, situações bem definidas. Tem rivalidade de mais de cem anos.   

 

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