Semifinais: se der dupla zebra?

Leia a coluna desta quinta-feira (19)

Escrito por
Tom Barros tom.barros@svm.com.br
(Atualizado às 09:52)
Legenda: Apesar das limitações, é o Ferroviário. Aliás, na história do Ferrão, constam assombrosos casos de reviravoltas improváveis.
Foto: Foto: Kid Júnior/SVM

De sã consciência, até mesmo os torcedores do Floresta e do Ferroviário sabem que a situação está totalmente favorável aos seus adversários, respectivamente, Ceará e Fortaleza. A superioridade de alvinegros e tricolores de aço foi robustecida pelas vitórias nos jogos de ida das semifinais.  

O elenco do Fortaleza e as suas opções dão ao técnico Carpini a tranquilidade para promover mudanças efetivas, no caso de alguma surpresa inicial. Mas, como tenho dito, apesar das limitações, é o Ferroviário. Aliás, na história do Ferrão, constam assombrosos casos de reviravoltas improváveis.  

A situação do Floresta é bem complicada. Além das limitações do elenco, a diferença do placar de 3 a 0, sofrido no jogo de ida, obrigará o time a abrir a guarda para buscar o resultado. Abrir a guarda diante do Ceará é como abrir uma porteira nas típicas fazendas do interior: passa tudo.  

Sim, e se der dupla zebra? Se o Floresta e o Ferroviário despacharem os favoritos Ceará e Fortaleza? Aí, meus amigos, não haverá outra coisa a fazer senão buscar a velha e manjada frase: futebol é mesmo uma caixinha de surpresas.  

Fatos  

A zebras existem. As reviravoltas fazem parte do futebol. Os resultados improváveis acontecem, desde os jogos de várzea aos jogos de Copas do Mundo. Se assim não fosse, perderia a graça, com os jogos de cartas marcadas. Lembram do que o Ferroviário fez com o Sport, em Recife, na Copa do Brasil de 2018?    

Assombrosa classificação   

Na Copa do Brasil de 2018, jogo de volta diante do Sport em Recife, o Ferrão estava perdendo (3 x 0). Faltavam só 15 minutos para o fim. A torcida do Sport já comemorava a classificação. Aí o Ferrão fez um gol aos 30’, o segundo gol aos 37’ e o terceiro gol aos 41’. A decisão foi para os pênaltis. O Ferrão venceu (3 x 4). O Ferrão é assim.   

Outro assombro   

A maior virada da história da Copa do Brasil aconteceu no Maracanã em 2014. O América de Natal, em casa, havia perdido para o Fluminense (0 x 3). Na época, o gol fora de casa, em caso de empate por pontos, tinha peso dois. Quem acreditaria que o América ainda teria alguma chance no Maracanã? Ninguém. Mas aconteceu.   

O jogo    

No Maracanã, o Fluminense ganhou o primeiro tempo (2 x 1). O América teria de marcar quatro gols em 45 minutos. Max fez América 2 x 2. O América virou aos 30’, gol de Alfredo (2 x 3). Aos 37’, Alfredo voltou a marcar (2 x 4). Aos 45’, Pimpão fez o gol da classificação: 2 x 5. No placar agregado, Fluminense 8 x 10 América-RN.    

Copa do Mundo   

Em 1954, na fase de classificação, a famosa Hungria, de Puskas, ganhou da Alemanha por 8 a 3. Uma goleada histórica. Na grande final, a Hungria voltou a pegar a Alemanha. Entrou como favorita absoluta. Em dez minutos, já estava derrotando a Alemanha por 2 a 0. A Alemanha, mesmo inferior, reagiu. Virou para 3 a 2 e foi campeã do mundo.