Seleção Brasileira: o medo está do outro lado
Leia a coluna desta segunda-feira
Lembro do depoimento de um defensor sueco, antes da final da Copa de 1958, em Estocolmo. Ele tinha visto as traquinagens do Mané Garrincha com a bola nos pés. Os soviéticos, com seu futebol científico, foram desmoralizados. Depois, os gauleses. Depois, os franceses. E agora? Dizem que o moço não dormiu direito.
O medo do lateral sueco só aumentou quando a bola rolou. Virou pesadelo. Não dava para segurar o Mané. Hoje, digo eu: quem deve estar com medo é o time japonês. Do outro lado estará a Seleção Brasileira, cinco estrelas. Quem não deve dormir direito são os samurais do Sol Nascente.
O Brasil deve ter respeito pelos adversários. Respeito aos japoneses. Medo, jamais. Se houver algum medo nesta história toda, certamente estará do outro lado do mundo. Os japoneses aprimoraram o seu futebol. Formaram um conjunto harmonioso e veloz, mas nada superior ao futebol brasileiro.
Favorita é a Canarinho. Será uma zebra monumental, se o Japão eliminar o time de Vini Jr e companhia. O normal é acontecer o contrário. Todavia, é bom a Seleção Brasileira tomar certas precauções, visando a evitar surpresas.
Velocidade
Jamais a Seleção Brasileira deverá cair na tentação de correr o que eles correm. O campeonato não é de velocistas. Não é uma prova de 100m rasos de uma Olimpíada. A Espanha, do “tiki-taka”, controlava o jogo com toques curtos. Não deixava o adversário correr. Ao Brasil cabe fazer o seu jogo.
Aprimoramento
Nas décadas de 1960, 1970 e 1970, o Japão era uma das maiores seleções de vôlei do mundo. Quase imbatível. O Brasil não tinha condições de enfrentá-lo. Mas o Brasil aprimorou suas técnicas. Evoluiu. A partir da década de 1990, passou a ganhar títulos mundiais. Neutralizou a superioridade japonesa.
Resposta
No futebol, há alguns anos, o Japão não tinha a mínima condição de ganhar do Brasil. Então, o Japão investiu no intercâmbio com o Brasil. Aprimorou seus conhecimentos com técnicos e jogadores brasileiros. Cresceu na produção coletiva. O intercâmbio foi muito importante. Hoje, o Japão já é uma equipe olhada com grande respeito.
Na Europa
Há vários jogadores japoneses se destacando no futebol europeu. O goleiro Zion Suzuki brilha no Parma da Itália. O zagueiro Hiroki Ito é destaque no Bayern da Alemanha. O meia Daichi Kamada brilha no Crystal Palace, da Inglaterra. Também o meia Ao Tanaka tem se destacado no Leeds United, da Inglaterra.
Conclusão
O Brasil é melhor. Tem técnica mais apurada. Maior experiência em Copas do Mundo. Um repertório mais rico. Jogadores de nível superior. O Japão tem mais velocidade e aplicação tática. Mas, numa avaliação macro, ainda não está no nível da Seleção Brasileira. Repito: a meu juízo, será uma zebra monumental o Japão eliminar o Brasil.