Recado à torcida tricolor

Confira a coluna do Tom Barros desta terça-feira (21)

Torcedores do Fortaleza
Legenda: Torcedores do Fortaleza
Foto: Fabiane de Paula/SVM

É natural que haja insatisfação diante da sequência de insucessos do Fortaleza. Não poderia ser diferente. Insatisfação que também se revela ostensiva em todos os segmentos do clube. O primeiro a se mostrar inquieto é o próprio técnico Vojvoda, comandante do grupo em campo. 

No mesmo grau de insatisfação está o presidente Marcelo Paz, que vê um declínio inesperado e preocupante. Terão de partir dos dois as medidas emergenciais para estancar este rosário de amarguras. De minha parte, envio um recado à torcida tricolor: é preciso respeito nas manifestações, em caso de protesto pelo atual momento. 

Não se admite qualquer tipo de ofensa a este grupo que está sendo vítima de um calendário cruel e desumano. O elenco tem dignidade e quer. Mas se observa claramente que lhe falta força física para manter o ritmo e a intensidade de outrora. Os jogadores deram o máximo de seus esforços. 

Então, exauridos neste final de temporada, merecem a compreensão de todos. Para alcançar novos resultados positivos, terão de contar com o apoio da torcida. Portanto, cabe à torcida do Fortaleza entender a situação adversa. Protestar por providências, tudo bem. Ofensas, jamais. 

DIFERENÇA

Uma coisa é você não jogar por negligência ou desinteresse. Outra coisa, bem diferente, é não conseguir jogar pela exaustão. Nesse último caso, o atleta quer, mas não consegue. A cabeça pensa, mas as pernas não acompanham. É esgotamento. O Botafogo vem passando por situação semelhante. Por sinal, é o próximo adversário do Fortaleza.  

EXAUSTÃO

Há dois tipos de esgotamento: o físico e o mental. Quero acreditar que o grupo do Fortaleza alcançou os dois graus. Agora é administrar as forças que restam. E, mais uma vez, reitero: a torcida tem o direito se estar insatisfeita com os resultados, mas jamais avançar com ofensas e grosserias de qualquer ordem. 

FATOS CONCRETOS

Há muitos exemplos de times que entraram em declínio, após uma fase exuberante. Em 2020, o São Paulo, sob o comando de Fernando Diniz, assumiu a liderança da Série A. Colocou sete pontos de vantagem sobre o vice-líder. Na reta final, na 31ª rodada, após uma sequência de insucessos, o São Paulo sofreu uma goleada (5 x 1) do Inter e despencou de vez. O Campeão foi o Flamengo. 

AGORA MESMO

Está aí o Botafogo. Colocou 13 pontos de vantagem sobre o vice-líder. Era tido e havido como campeão brasileiro da Série A. Quando entrou em declínio, danou-se a perder. E o que é pior: sem forças para sustentar vantagens de três gols de diferença. Sofreu duas viradas históricas: uma do Palmeiras (3 x 4) e outra do Grêmio (3 x 4). O Botafogo ainda pode ser campeão, mas complicou. 

MEDO

Após derrota do Fortaleza para o Cruzeiro, muita gente, que não admitia a possibilidade de o Leão chegar à zona de rebaixamento, reformulou sua posição. Ficou clara a apreensão. Eu ainda vejo no Fortaleza uma razoável margem de segurança. Mas é bom ampliá-la nos próximos jogos. É hora de espantar os fantasmas. As zebras existem.