Raça também ganha jogo

Leia a Coluna deste sábado (22)

Escrito por
Tom Barros tom.barros@svm.com.br
Legenda: O Ceará competiu pouco contra o Náutico e foi derrotado na Série B, voltando ao Z4
Foto: Gabriel Silva/Ceará SC

Já não sei como analisar a situação do Ceará. Esteve na zona de rebaixamento. Saiu da zona de rebaixamento. Voltou para a zona de rebaixamento. Um bate-volta que leva ao desengano, mas não pode levar ao desespero. O Ceará tem história. Tem apelo. Está no hino do clube: "Ceará, tua glória é lutar". 

Hoje, uma vitória sobre o Londrina é obrigação. Em caso de tropeço, não venham com desculpa amarela. Com todo respeito à história do time paranaense, não há como se admitir, nas atuais circunstâncias, mais um resultado negativo do Ceará em casa, quer no PV, quer no Castelão. 

Nada de retórica. São vazios os discursos que não batem com a realidade. Chega de verborragia que enche os ouvidos de palavras e não põe nada de conteúdo. Então, falem apenas se houver mesmo alguma coisa útil para ser dita. Se for para tentar explicar o inexplicável, o silêncio será melhor. 

Tolerância, sim. Paciência, sim. Apoio, sim. Mas a resposta em campo tem de acontecer. Se não houver técnica, que haja raça. Se não houver padrão definido, que haja coração. Brio também ganha jogo. 

 

Pedido 

 

Ninguém pode exigir uma qualidade técnica acima da própria qualidade técnica que o time tem. É fato. Mas pode pedir luta, bravura, doação, empenho, honra, dignidade, compromisso. Problema é a pusilanimidade. No Ceará, não se pode admitir falta de firmeza, falta de decisão. 

 

Exemplo 

 

Dou um exemplo concreto do que foi exposto no tópico acima. Há alguns anos, o Ceará estava praticamente rebaixado. Resultado: contratou o técnico Luiz Carlos de Lorenzi, mais conhecido como Lisca Doido. Resultado: com o mesmo elenco limitado, com o mesmo grupo, Lisca conseguiu no brio, na luta, evitar o rebaixamento. 

 

Liderança 

Não é preciso mudar de treinador. Mudança de treinador já houve no Ceará. É preciso mudar de atitude. Aí, sim. Mudança radical. Buscar a velha colocação do filósofo do futebol, Neném Prancha, que dizia: "Jogador de futebol tem que ir na bola com a mesma disposição com que vai num prato de comida. Com fome, para estraçalhar." 

 

Amanhã 

 

O Fortaleza tem desafio difícil diante do líder da competição, o Criciúma. Jogo no Estádio Heriberto Hülse, em Santa Catarina, é sempre muito complicado. O Criciúma faz campanha notável e tem feito valer o mando de campo. Tem sete pontos de vantagem sobre o Fortaleza. 

 

Imprevisível 

 

O Fortaleza tem oscilado, mas tem também conseguido resultados de expressão. Não faz muito, pela Copa do Brasil, surpreendeu o Palmeiras na Arena Pantanal no Mato Grosso. O Leão ganhou por 3 a 2, embora não tenha logrado a classificação. O Fortaleza pode surpreender, sim.    

Assuntos Relacionados