Perdemos o futebol, a camisa e o pudor
Leia a Coluna deste sábado (28)
Há momentos em que tenho piedade da Seleção Brasileira de futebol. Há momentos em que tenho raiva. E há momentos em que sinto as duas coisas ao mesmo tempo. Foi assim ao ver o jogo França 2 x 1, amistoso preparativo para a Copa do Mundo de 2026, realizado no Boston Stadium.
A França foi absoluta. Uma transição rápida e perfeita. Uma equipe talentosa. Os franceses assimilaram o que, há alguns anos, foi o melhor do futebol brasileiro. Hoje, eles conjugam arte e técnica. O gol de Mbappé foi tipicamente brasileiro, na arte, no toque e na execução sutil.
Procurei o futebol brasileiro. Não encontrei. Sumiu. Nem quando a França ficou com um jogador a menos, a Seleção Brasileira conseguiu se estabelecer. Nas arquibancadas, ecoou o nome de Neymar. Ancelotti deve ter sentido um friozinho na espinha.
Fim de jogo. O Brasil perdeu o futebol. Perdeu a camisa tradicional. Perdeu o pudor de ser freguês da França. Descaracterizado no uniforme, confuso nas propostas e limitado nas ações. Tive raiva e piedade.
Uniforme
Não gostei nem um pouco do uniforme azul usado pela Seleção Brasileira em Boston. Colocaram uns desenhos horríveis, inexplicáveis. Nem de longe lembra o uniforme azul usado pelo Brasil diante da Suécia, em 1958, na conquista de seu primeiro título mundial. Sou refratário a tais invencionices.
Protesto
Entendi o coro da torcida que gritou o nome de Neymar. Não estava a pedir o Neymar das atuais condições, mas a dizer que os que estavam em campo não são comparáveis em talento ao craque do Santos. Uma espécie de pedido de socorro. Está precisando de um salvador da pátria.
Música
A Seleção Francesa está pronta. Joga por música como se diz no jargão do futebol. Os compartimentos estão sincronizados. Tem excelente preparo físico e trabalha em velocidades. Isso ficou provado quando teve de atuar com um jogador a menos e, mesmo assim, controlou o jogo e fez o segundo gol.
Formação
O Brasil dá sinais de um time sempre em busca de formação. Algo que não encontra. Falta-lhe harmonia e sincronização. Um time tão juntamente só. A frase não é minha. Ouvi do meu amigo, Adolfo Marinho, falando sobre o que é morar em apartamento. A Seleção Brasileira é como morar em apartamento: todos juntos, mas separados.
Copa do Nordeste
Hoje haverá três jogos: às 17 horas, em Recife, Retrô x Ceará. Também às 17 horas, em São Luís, no Castelão de lá, Maranhão x Ferroviário. Mais tarde, às 19 horas, no Castelão daqui, Fortaleza x Imperatriz. Queira Deus que haja uma melhora no padrão técnico da competição. A rodada passada foi muito ruim.