Os narradores esportivos da minha vida
Leia a Coluna desta segunda-feira (10)
Em 1958, quando da Copa do Mundo na Suécia, nasceu uma das minhas paixões: a narração de futebol. Em torno do rádio Zenith, meu pai seu Victor, meu vizinho Mário Machado e outros amigos. Acompanhavam as transmissões dos jogos. Escutavam as belas narrações dos famosos locutores Edson Leite e Pedro Luiz.
Eu tinha 11 anos de idade. Ouvi com encanto tudo aquilo. E passei a imitar as narrações deles. Usando como microfone uma lata de óleo Pajeú, cuidei de narrar os jogos dos amigos, máxime no campinho da Praça da Gentilândia. Eu subia na mangueira e assumia o comando da imaginária transmissão.
Anos depois, as imitações me fizeram conquistar o meu primeiro emprego, através de um concurso no programa “Tarde Esportiva”, que o cronista e ex-goleiro, Gilvan Dias, apresentava na Rádio Uirapuru. E assim fui conquistando espaços na radiofonia cearense.
Em 1990, na Copa do Mundo da Itália, eu já narrador da Verdinha, encontrei Pedro Luiz. Disse a ele a forma como ingressei no rádio, imitando-o. Pedro, muito simpático, disse: “Você está me devendo 32anos de royalties”.
Duplas
Na década de 1950, Pedro Luiz e Edson Leite formaram uma dupla fantástica na Rádio Bandeirantes de São Paulo. Em 1962, na Copa do Chile, eles repetiram o grande êxito alcançado na Copa anterior. Não conheci pessoalmente Edson Leite, narrador brilhante, dono de voz potente e de grande precisão nos lances.
Imitação
Outro narrador no qual eu me inspirei e até procurei imitar sua maneira de trabalhar foi Ivan Lima. Fantástico Ivan. Trabalhou na Rádio Dragão do Mar ao lado do comentarista Paulino Rocha. Ivan tinha uma das mais belas vozes que ouvi, narrando futebol. Ivan brilhou no rádio pernambucano. Ele morreu em Recife no dia 14 de agosto de 1994.
Inspiração
Outro fantástico narrador foi Fiori Gigliotti, “o locutor da torcida brasileira”. Conheci Fiori na Copa do Mundo de 1998, na França. Ele criou uma verdadeira escola no seu estilo de narrar. “Abrem-se as cortinas. Começa o espetáculo”, dizia. Muitos nele se inspiraram. Gomes Farias foi um de seus seguidores. No Piauí, Dídimo de Castro.
Emblemático
Não se pode falar em narração pela televisão sem lembrar do saudoso Geraldo José de Almeida. O tri mundial do Brasil em 1970, na Copa do México, ficou marcado pelos seus bordões: “Vamos meu craque Café”, “Rivelino, a patada atômica”, “Jairzinho, Furacão da Copa”, “Gerson, Canhotinha de ouro” ...
Conclusão
Escreveria mais, muito mais, sobre a narração esportiva. Mas fico por aqui, saudando os jovens que estão chegando. Que venham com os seus ideais, amor ao ofício e dedicação ao trabalho. Narrar futebol requer envolvimento. Narrador que não se sentir dentro do espetáculo tende a passar poucas emoções.