Os gestos obscenos nos estádios de futebol

Leia a Coluna desta terça-feira (11)

Escrito por
Tom Barros tom.barros@svm.com.br
Legenda: Miritello fez gesto obsceno para a torcida do Cuiabá e foi expulso
Foto: Reprodução/CanalGOAT

Sou de um tempo em que poucas mulheres iam aos jogos de futebol. Era um ambiente eminentemente masculino. Mas, nas décadas de 1950 e 1960, havia duas mulheres que marcaram época no PV: dona Chaguinha, torcedora do Ceará, e Dona Filó, torcedora do Ferroviário. As duas eram muito respeitadas. 

Eu as conheci. Tinham seus lugares reservados no PV. Quando chegavam, os homens se levantavam e cediam os lugares. E ali dona Chaguinha e dona Filó eram tratadas com muito carinho. Pela presença delas, os homens não diziam palavrões. Comportamento exemplar. Gesto obsceno nos estádios, nem pensar. 

Hoje, as coisas mudaram muito. Para pior. Não raro, em coro, a torcida manda um infeliz ir tomar... O árbitro de futebol tem que ter duas mães: uma que ele deixa em casa e a outra que, sem culpa, é xingada nos estádios. Os torcedores mais exaltados costumam fazer gestos inadequados ao ambiente. 

Agora, jogadores são expulsos pela prática indevida. O argentino Miritello foi expulso porque, segundo imagens captadas pelo VAR, fez gesto obsceno com o dedo médio. São os novos tempos. 

 

Diferença 

 

Nas décadas de 1950 e 1960, o comportamento das torcidas era muito diferente do que acontece nos dias de hoje. Jamais se ouviu falar que, naquela época, um jogador fosse capaz de, numa atitude obscena, mostrar o dedo médio para a torcida. É lamentável o que se vê agora. 

 

Exemplos 

 

Dona Chaguinha e dona Filó usavam sombrinhas. Era uma forma de evitar os raios solares. Numa brincadeira sadia, caso algum marmanjo estivesse sentado nas cadeiras a elas destinadas, os tais senhores eram puxados pelo gancho do cabo da sombrinha. Era uma gozação geral. Tudo numa boa. 

 

Publicação 

Há alguns anos, no “Recordando”, publiquei uma foto da Dona Chaguinha, que era apaixonada pelo Ceará. Ela era mãe do famoso fotógrafo, Zé Rosa, profissional notável que dedicou muito de seu tempo à arte de fotografar. Não lembro de foto de dona Chaguinha e dona Filó juntas no PV. 

 

Nome de Rua  

 

Dona Filó virou nome de rua. Uma justa homenagem a quem soube romper barreiras e discriminações, máxime numa época eminentemente machista no futebol. A Rua Dona Filó fica na Barra do Ceará. No número 650 da citada rua, está a sede social do Ferroviário.  

 

Conclusão 

 

Os estádios de futebol são espaços de convivência dos torcedores de todos os matizes. Lamentavelmente, não raro, há brigas e confusões entre os frequentadores. Falta de educação e de civilidade. Saudade dos bons tempos de dona Chaguinha e de dona Filó. Havia respeito e consideração.  

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