Os efeitos da queda repercutem agora
Leia a coluna de Tom Barros
No começo do ano, apesar do rebaixamento acontecido em 2025, havia no ar a esperança de que Fortaleza e Ceará não encontrariam maiores problemas para logo retornar à elite. O tempo está passando. As coisas estão mais complicadas do que foram previstas.
Os vários anos seguidos na Série A geraram a certeza de que não mais voltaríamos para o patamar de baixo. Finalmente, tínhamos alcançado estrutura sólida nas esferas administrativa e financeira, além de, em campo, um nível técnico capaz garantir a presença cearense, no mínimo, entre os dez melhores do Brasil.
Disse diversas vezes que Fortaleza e Ceará estavam na segunda divisão, mas, na verdade, seriam times da Série A. Hoje, estou refazendo alguns conceitos. Já não creio tanto nas estruturas que, há algum tempo, imaginei sólidas, inabaláveis. Hoje, a realidade tem mostrado fragilidades preocupantes.
Parece que os efeitos dos desarranjos estão sendo mais evidenciados agora. O poder de reação está aquém do esperado. E já ponho algumas dúvidas sobre o retorno à Série A já no final do atual certame.
Técnico
O Ceará investe em um treinador que a diretoria entende à altura das necessidades do clube. Não creio, porém, que o problema do Ceará seja treinador. Na verdade, o problema do Ceará é elenco. Então, pouco importa. Se não houver reforços no elenco, a agonia será a mesma.
Limitações
Sei da situação do cofre alvinegro, que não tem valores disponíveis para grandes contratações. É exatamente aí que entra a garimpagem fora dos centros de maior importância. São fundamentais os olheiros que descobrem promessas capazes de mudar o rumo das coisas.
Suporte
Independente do treinador, o Ceará precisa oferecer um suporte melhor, com um elenco mais qualificado. Se assim não for, será difícil sair da atual situação de desconforto, até porque os concorrentes estão em forte processo de reação. Sem um novo suporte, será tudo muito complicado.
Ideal
O Fortaleza está em uma posição melhor, mas requer também certo cuidado. Apesar de ser mínima a diferença para alcançar a faixa do playoff, é preciso não perder o contato com a turma da frente. O ideal é mirar os dois primeiros lugares que dão a classificação direta.
Conclusão
A Série B, já com 14 rodadas concluídas, não mostra os representantes cearenses nos lugares que teoricamente nós esperávamos. O Ceará, no lugar de mirar o topo, passou a temer a aproximação da zona maldita. O Fortaleza, no lugar dos primeiros lugares, está fora do playoff. Nada a ver com a projeção feita no começo do ano.