O recorde e o mundo que o Frota abraçou
Confira a coluna deste sábado (12) do comentarista Tom Barros
Logo mais, às 15:30, no Catuleve, em Aquiraz, o piloto Alexandre Frota pousará o avião monomotor experimental, RV-10, encerrando a longa viagem em volta do mundo. Foram seis meses de uma aventura fantástica, onde estiveram presentes a bravura e a saudade, o sonho e a realidade. E a sólida fé em Deus.
O Alex Bacana, como é carinhosamente chamado, é o primeiro brasileiro a fazer sozinho, em um monomotor, a volta ao mundo. Estabeleceu uma marca histórica, movido por um ideal que dele exigiu desprendimento, dedicação, trabalho, estudos avançados e muito amor ao ofício.
Em muitos momentos, distante, acima das nuvens, do outro lado do mundo, certamente ele pensou na família, máxime quando enfrentou pontos críticos e desafiadores. Ainda assim, seguiu. Sabia, no íntimo do coração, que o sustentáculo de tudo também era a família, que aqui ficara em orações.
Missão cumprida, Alex. Agora o reencontro com a sua esposa, Noêmia, e com os filhos João (10 anos) e Gabriel (8 anos). O pai volta ao lar. O piloto volta ao ninho. Nos seus olhos, no seu coração, as inesquecíveis imagens do mundo que você abraçou.
Realização
Não existe nada mais recompensador do que a concretização de um ideal. Por maior que seja o preço cobrado, vale a pena. Não me refiro aos gastos financeiros, mas sim ao preço da ausência, o preço da saudade, o preço da ansiedade, o preço das incertezas. Você pagou com bravura e resiliência.
Controle
Em nenhum momento, o aviador, que resolve dar a volta ao mundo, pode perder o controle emocional. A força mental é tudo. Isso ficou bem claro nas transmissões que o Alexandre Frota fez ao vivo, quer na terra, quer no ar. Sempre se mostrou firme, seguro, no total controle das situações.
É festa
A sua chegada ao Catuleve, logo mais, será a apoteose, a celebração de tudo. A recepção no ar, com a escolta significativa e carinhosa de várias aeronaves. A recepção no clube onde os corações alados se entrelaçarão. O RV-10 volta ao hangar, berço onde tudo começou. E termina agora.
Continua
Nem sei se a expressão "termina agora" está correta. Um feito assim não termina. Lembrei da música Luzes da Ribalta, do genial Charles Chaplin, no trecho que diz: "Se o ideal que sempre nos acalentou, renascerá em outros corações." O ideal do Alex Bacana, creio, será eterna inspiração aos aviadores do mundo inteiro.
Conclusão
Parabéns, Alexandre Frota. Muitos o chamaram de louco. Muitos temeram o pior. Muitos oraram por você. Mas você se preparou. Que seria do mundo se não fossem os loucos. Os loucos que estudam, os loucos que sonham, os loucos que têm juízo. Alexandre, mais uma vez, parabéns. Você venceu.