O melhor e os complicados técnicos da Seleção Brasileira
Leia a Coluna desta quinta-feira (11)
O tema é polêmico. E tudo depende também das circunstâncias. Entra muito de subjetividade e de preferências clubísticas. Tudo isso pode ter influência na opinião final. Em 1958, tive o privilégio de ver a Canarinho campeã do mundo, sob o comando do sereno Vicente Feola.
A meu juízo, Zagallo foi o melhor técnico da Seleção Brasileira. Zagallo montou, a seu modo, a formação tricampeã mundial, em 1970, no México. Fez modificações fundamentais no time que ele herdou de João Saldanha. E alcançou um patamar jamais visto em outra seleção.
Na década de 1980, endeusaram Telê Santana. Discordo. Ele conseguiu perder duas Copas do Mundo, comandando um time cheio de craques como Zico, Sócrates, Júnior, Cerezo, Falcão... Pode ter sido brilhante no São Paulo. Tudo bem. Na Seleção Brasileira foi um fracasso. Não ganhou nada.
Na Seleção Brasileira de 1950, o complicado Flávio Costa. Ele conhecia futebol, mas seu autoritarismo excedeu. Criou problemas com craques famosos. Foi ruim para a seleção.
Ressalva
Não acompanhei o trabalho de Flávio Costa. Então, como posso opinar sobre ele? Pesquisei. Li depoimentos fortes de craques como Leônidas da Silva e Nilton Santos. Detalhe: Leônidas previu que com Flávio no comando o Brasil perderia a Copa. Nilton, que fez parte do elenco de 1950, também admitiu e confirmou.
Reportagem
No jornal O Globo, de 03 de julho de 2012, há uma matéria que detalha a arrogância do treinador. O título da matéria é: “Flávio Costa, o senhor “eu sou a derrota.” Flávio, inclusive foi entrevistado. Erro grave da CBD, que concentrou todos os poderes nas mãos de quem se sentia acima do bem e do mal.
Trecho
“Flávio foi uma espécie de dono do futebol brasileiro. Tinha mais força do que qualquer membro do alto comando da CBD. Convocava e escalava jogadores, definia sistemas e táticas, cuidava do preparo físico, decidia onde seus comandados deveriam se concentrar, controlava pessoalmente seus horários, o que vestir, onde e o quê comer”.
Arrependimento
Nas entrevistas, Flávio Costa jamais deu sinais de arrependimento por suas atitudes. Nem se referiu aos desentendimentos com Nilton Santos, Ademir Menezes, Heleno de Freitas e Ipojucan, a quem obrigou a voltar a campo. Jamais assumiu seus erros. Colocou a culpa nas coisas inexplicáveis do futebol.
Campeão
Nos times, Flávio Costa foi um vencedor. Ganhou títulos no Vasco e no Flamengo. Foi campeão do Sul-Americano de Clubes pelo Vasco em 1948 e campeão do Sul-Americano de Seleções (Copa América) pela Seleção Brasileira em 1949. Mas, por onde passou, deixou a marca de seu prejudicial temperamento. Lamentável.