O gol feito não feito

Leia a Coluna desta quarta-feira (2)

Escrito por
Tom Barros tom.barros@svm.com.br
Legenda: Miritello, jogador do Fortaleza.
Foto: Thiago Gadelha/SVM

O torcedor brasileiro é criativo. Analiso com atenção as situações. Há expressões que caem no gosto popular. O futebol está cheio de frases assim. Uma das mais corriqueiras diz: fulano perdeu um gol feito. Ora, se perdeu, como era gol feito. Então, gol feito é concretizado. 

Imaginei esta frase, lembrando do gol que o Miritello perdeu diante do Operário do Paraná. É inexplicável. Ele conseguiu o impossível. Transformou-se em um zagueiro capaz de tirar uma bola que certamente os próprios zagueiros do Operário não conseguiriam. 

Vi muitas vezes o lance para entender que se tornou impossível de entender. Algum ente invisível estava em campo, não captado pelo público, nem pelas câmeras de televisão, nem pelo árbitro, nem pelo VAR, nem pelos próprios jogadores. Mas este ente invisível estava lá. 

O futebol tem fantasmas que entram em campo. E preparam episódios que só eles mesmos entendem. O Miritello deve estar até agora tentando entender o que aconteceu. Jamais encontrará explicação. 

 

Respeito 

 

Não é pela perda de um gol assim que o atacante passe a sofrer críticas continuadas. Faz parte do jogo uma série de lances inusitados. E somente os que estão em campo podem ser protagonistas de situações assim. Ele perdeu, mas poderia ser um outro que ali estivesse.  

 

Indagação 

 

Romário, no auge da forma, perderia uma oportunidade como Miritello perdeu? Pelé, o Rei, perderia? Clodoaldo, Perderia? Messi, Ronaldão, Cristiano Ronaldo, Ronaldinho e outros monstros sagrados do futebol perderiam. Pode acreditar no que vou dizer: Poderiam perder, sim. Seria muito difícil, mas... 

 

O dia 

Tudo depende do dia do atleta. Há momentos em que tudo lhe é favorável. Os ventos sopram a favor. Tudo dá certo. É quando a sorte resolve ficar de um lado só. Também, quando ela muda de lado, os jogadores passam a errar passes de três metros ou menos. 

 

Outro assunto 

 

Sou saudosista, de carteirinha. Não consigo engolir certas coisas que a modernidade tenta impor. Sou refratário às mudanças de cores das tradicionais camisas dos clubes brasileiros. Na rodada passada, vi o Santos com a camisa azul. Nada a ver. Vi o Vasco com uma camisa amarela. Horrível. Fechei a televisão. 

 

Desrespeito 

 

Tal mudança de cores é uma agressão. O manto branco do Santos, que foi aplaudido de pé pelos estádios do mundo, com Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe, não pode ser enxovalhado assim. A camisa tradicional do Vasco, dos ídolos Bellini, Orlando, Vavá, Ademir e Roberto Dinamite, também não pode ser desdenhada assim. 

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