O boicote à Copa do Mundo
Leia a coluna desta quinta-feira (5)
A estupidez da guerra faz todo tipo de estrago. Dizima famílias, destrói cidades, leva desgraça e luto por toda parte. Cruel matança ordenada por falsos e cruéis líderes. Jesus Cristo, no Sermão da Montanha, deixa bem claro: “Bem-aventurados os pacificadores porque serão chamados filhos de Deus.”
Em outro trecho do Sermão da Montanha, Jesus Cristo afirma: “Bem-aventurados os mansos porque possuirão a terra.” Mas o que se vê hoje em dia é a opção pela guerra. Os gastos com armas superam todo o investimento na produção mundial de alimentos.
Agora, parece, mais uma vez o esporte será prejudicado. Já se fala em boicote à Copa do Mundo que será realizada nos Estados Unidos, Canadá e México. Prejuízo incrível para quem esperou quatro anos por uma confraternização universal através do esporte. E, desta vez, não são os alemães e seus canhões.
Não raro, o futebol sofre boicote decorrente dos conflitos entre nações. Os poderosos, em seus gabinetes, resolvem enviar jovens para a morte nos campos de batalha. E fecham os campos onde a arte do esporte é uma promoção à vida.
Consequências
Os conflitos internos ou externos, quando radicalizados, podem transformar em templos de desgraça os estádios que foram palco da magia do futebol. Assim, em 1973, na derrubada do presidente Salvador Allende, o Estádio Nacional de Santiago, no Chile, cenário do bicampeonato mundial do Brasil, virou campo de prisioneiros.
O contrário
Uma ação inversa também pode acontecer. No tempo da pandemia de Covid, o Estádio Presidente Vargas, na Gentilândia, transformou-se em um hospital de campanha. Lá, foram atendidas milhares de vítimas contaminadas pelo vírus. O templo de futebol virou um centro de salvamento de vidas.
Critério
Lamentavelmente, a escolha das sedes das Copas do Mundo leva em conta o poder financeiro do anfitrião. Correto seria avaliar, entre os postulantes, a vocação para a paz e o respeito aos direitos fundamentais da pessoa humana. Mas não é assim. O Catar, com toda perseguição à comunidade LGBTQ+, sediou a Copa de 2022. Um absurdo.
Neutro
As Copas do Mundo e as Olimpíadas deveriam ocorrer sempre em países neutros, ou seja, países que não se envolvem em guerras e repudiam todo e qualquer tipo de ação contrária à autodeterminação dos povos. A Copa de 1994 foi nos Estados Unidos. A Copa de 2018 foi na Rússia. Outro absurdo. Não é preciso dizer mais nada.
Realidade
Se as Copas do Mundo e as Olimpíadas fossem em países neutros, o risco de boicote seria bastante reduzido. Mas, tal como está, sempre haverá a possibilidade de os donos do mundo interferirem nas competições esportivas. Não queiram esperar sensibilidade de quem, sem remorso, promove a guerra, tirando milhares de vidas.