Lembranças e retalhos do Clássico-Rei
Leia a Coluna desta sexta-feira (27)
O primeiro jogo entre Ceará e Fortaleza, que eu vi, foi em 1956. Eu tinha nove anos de vida. Tudo era novidade no meu mundo infantil. Do velho PV saí deslumbrado com as defesas do goleiro alvinegro, Ivan Roriz, meu primeiro ídolo. O tempo voa. De lá até aqui já se passaram 70 anos.
Hoje, os jogadores não demoram nas equipes. A rotatividade é grande. Em épocas passadas, os jogadores permaneciam no mesmo time por um período de 10 a 15 anos. Daí a identificação, a fusão de imagens. Agora, com raríssimas exceções, está em desuso o atleta permanecer muito tempo em um só time.
Um dos maiores ídolos do Fortaleza, na década de 1960, foi o zagueiro Zé Paulo, o “Touro do seu Tobias”. Zé Paulo tinha a missão de marcar Gildo, o maior ídolo do Ceará. Zé Paulo foi notável. O apelido de “Touro do seu Tobias” pegou porque o pai dele, seu Tobias, tinha uma vacaria.
A minha memória traz imagens que ficaram de tantos clássicos. Havia um goleiro no Fortaleza que eu também admirava: Aloísio II, chamado de “Verdureiro”. Bom goleiro. Não sei qual foi o destino dele, após ter deixado o futebol.
Memória
Como fazem falta os saudosos pesquisadores Airton Fontenele, Alfredo Sampaio e Airton Monte. Sem eles, a memória do futebol cearense ficou fragilizada. Hoje, o pesquisador Eugênio Fonseca faz a sua parte. E o cronista Hilton Junior luta pelo Memofut, trabalho iniciado pelo saudoso Cristiano Santos.
Pipiu
Elpídio Ciríaco da Silva, o Pipiu, foi um centroavante baiano que, nas décadas de 1940 e 1950, brilhou no futebol cearense. Decidiu muitos clássicos. Campeão cearense em 1949 pelo Fortaleza, em 1951 pelo Ceará e em 1956 Gentilândia. Foi Campeão do Norte pela Seleção Cearense (1954). E bicampeão baiano pelo Bahia em 1944/1945.
Vendedor
Nas décadas de 1950 e 1960, no PV, havia um famoso vendedor de sanduíche. Ele era chamado de “Marechal Dutra”. Vendia “cai duro”. Quando o comprador estava no alto da arquibancada, a torcida se encarregava de fazer o produto chegar ao interessado. E fazia o dinheiro percorrer o mesmo caminho, até chegar ao bolso do “Marechal”.
Muito difícil
Confusão, quase nenhuma. As torcidas ficavam juntas. Se houvesse algum desentendimento, a própria torcida cuidava de separar os brigões. Nem dava tempo de a polícia chegar. Logo tudo estava contornado. Na década de 1970, as coisas foram mudando. A violência passou a dar os seus primeiros sinais.
Conclusão
Os tempos mudaram. Hoje, lamentavelmente, há mortes. Torcidas se agridem nas ruas e praças. A violência alcançou níveis elevadíssimos. Nem parece o tempo em que torcedores do Fortaleza e do Ceará iam e voltavam pelas mesmas ruas e avenidas. Havia respeito.